Copacabana: paraíso nas alturas – série: Bolívia – pobre menina rica

Aventurando-me em Copacabana, Lago Titicaca e na Isla del Sol

Copacabana e Lago Titicaca

   
A verdadeira Copacabana fica às margens do Lago Titicaca, lago navegável mais alto do mundo com seus 3.815 m de altitude (a outra, a famosa praia do Rio, é só uma homenagem a Nossa Senhora de Copacabana que é legitimamente da Bolívia e pertence ao Lago).  

 
 
 

 

Copacabana e Titicaca se misturam. É como se fosse uma cidade portuária de um mar gigantesco sobre os altos picos do continente. É banhada pelas águas profundas e escuras do gigante Titicaca com seus 8.300 quilômetros quadrados de águas (acreditem salgadas – perceber isso te faz pensar se aquilo tudo ali já foi mar mesmo um dia) no altiplano boliviano.

Pelo que me esclareceu um nativo, o formato do lago “lembra um Puma: Titi, gato montês (já extinto) e caca, (rochas)”. Segundo a lenda do Titicaca, o Deus Sol criou Manco Capac e Mama Ocllo das águas do lago para formar um grande império: o império Inca. São os dois uma espécie de Adão e Eva da civilização Inca.

A “Copabacana boliviana” é uma cidade de ruas estreitas e muito aconchegantes. É também conhecida por ser um centro de peregrinações desde os tempos pré-colombianos. Todos os anos são centenas de fiéis que lá se aportam. Fica distante 160 km de La Paz (da capital boliviana o percurso é feito em três horas de carro ou ônibus até o destino).

Trata-se de uma cidade pequenina e sua importância, além do turismo, está justamente em ser um santuário católico para os bolivianos. É ali, às margens do Titicaca que foi construída a primeira igreja da Virgem de Copacabana, a Padroeira da Bolívia.

A informação oficial a que tive acesso disse que a cidade foi fundada por Incas, mas existem controvérsias a respeito disso com vestígios de culturas mais antigas, como a Tiahuanacota. Soube da dona do hotel que eu estava que, a colonização espanhola e sua afirmação se deram por volta de 1645/1650.

A cidade que recebe o ano todo milhares de turistas e mochileiros me parece que está se adequando para melhor atendê-los. Oferece bons hotéis e também simples hotéis. Para todos os gostos e bolsos.

Há vontade política local em capacitar tanto guias quanto agentes dos hotéis. Foi um dos poucos lugares na Bolívia que percebi funcionários de hotéis falando inglês, francês e português. No mercado central, li uma “plaquinha” que dizia que a prefeitura local iria à semana seguinte capacitar garçons (somente para nativos) para melhor atender os turistas. Um avanço significativo.

Há bons restaurantes onde se come à famosa “truta do Titicaca” (no meu caso não serve pela minha já conhecida forte aversão a peixes, mas fica a dica), cafés com o legítimo e bom café colombiano, lojinhas de artigos típicos andinos e um mercado municipal muito aprazível. Chamou minha atenção a hospitalidade do copacabeños. Coisa um pouco rara entre os bolivianos.

Outra coisa que chamou minha atenção foram os preços dos hotéis que são bem baratinhos. Quando você chegar até lá não se impressione. Já na chegada na rodoviária local, ao descer do “busão”, nem precisa se preocupar aonde ir, já terá com certeza alguém a lhe oferecer um hotel e alimentação. Mas, aconselho pesquisar os preços, pois há vários padrões de hospedagem.

Na rua que liga a praça principal (Calle 6 de agosto) ao lago Titicaca há entre dezenas de restaurantes, cafés-internet e lojas de artesanatos; bons hotéis. Conseguimos um ótimo com banheiro coletivo por US$ 5 a diária por pessoa.

Não há problemas de câmbio nas ruas da cidade. As lojas e as agências de turismo aceitam tanto bolivianos quanto dólares. Para o brasileiro: “real lá não se aceita”. Nem adianta insistir.

Ah e a noite de Copacabana é bem movimentada, repleta de “pubs” com boa música cheia de gringos e muita azaração. Tudo, em ambientes aconchegantes, rústicos e simples… Acho que se pudesse ficaria por lá mais tempo só para curtir as noitadas mais um pouquinho.



Aconselho também uma caminhada pela cidade. Você pode subir o chamado Monte Calvário (40 minutos de caminhada saindo do centro da cidade), de onde se tem uma vista simplesmente magnífica do Lago Titicaca. Lá em cima no Monte, ficam os xamãs (uma espécie de pajés) que depois de pagos exorcizam os maus espíritos e quem lá se aporta toma um banho do mais puro xamanismo andino. Uma experiência ímpar.

Para se conhecer sugiro também a Catedral da “Virgen de la Candelária” e uma visitinha aos sítios arqueológicos de: Intikala (Tribunal del Inca), Horca del Inca e Kusijata (Baño del Inca). Para visitar os sítios, “nós gringuitos” pagamos cerca de US$ 5 pelo passeio. Tudo contratado em qualquer agência de turismo do centro da cidade.

Outra atração também são os passeios de pedalinho no cais do Titicaca que não recomendo muito. (a altitude cansa muito mais fácil as pernas de quem não está muito acostumado). Além de aluguel de jet’s esquis, bananas e lanchas.





E o melhor da Copa boliviana fica para o fim. Conhecer as ilhas. De Copacabana é possível ir às ilhas do Sol e da Lua. (Isla del sol y Isla de la luna).

 Isla del Sol



Os passeios podem ser comprados nas agências de turismo ou no cais de Copacabana, geralmente saem pela manhã. Esteja atento a isso.



O bacana é pegar uma “totora” (barco a vela usado pelos incas para navegar no Titicaca) ou um barco motorizado para se chegar até elas. Entre o lirismo de um barco a vela e praticidade da tecnologia nos “entregamos” à opção mais rápida. Foi um “barco grandão” a motor que nos levou até a ilha.



Acordamos cedo e zarpamos. Éramos quatro brasileiros. Compramos os bilhetes no próprio cais. Sem agência e sem guias chatos. Não sabíamos, mas existe uma bilheteria no cais. Custaram-nos 20 bolivianos o trajeto (só de ida).

Os barcos chegam pela parte sul da ilha que é bem mais estruturada e turística que a norte. No entanto, ouso dizer que ambas se equivalem em beleza. Aliás, a Isla del sol foi o lugar mais lindo que já conheci até agora.

Como seriam apenas duas noites e teríamos que andar muito atravessando toda a ilha, deixamos as mochilas no depósito do hotel em Copacabana e levamos somente mochilas menores com o mínimo necessário.

Se você é dessas pessoas que adoram experiências antropológicas é bem possível que consiga dormir em casas de nativos na ilha do Sol. A população sempre muito acolhedora vive da agricultura, da pesca e também do turismo.

Ao chegar à ilha, creio que se acham opções de acordo com o bolso e gosto para se hospedar. No entanto, recomendo pechinchar e procurar um pouco. Depois de andar um pouquinho com certeza encontrará uma hospedagem ao seu gosto. São muitas. Encontramos muitos hostals transados e restaurantes com muros de pedras, lhamas presas em coleirinhas nas portas e plantações de trigo. Para quem gosta de cerveja é um ótimo local para se exercer a arte de “cervejar”. “Cervejando” se vê paisagens belíssimas e um lago sem fim com um por do sol estonteante.

Há bares por toda a ilha onde se servem refeições, lanches e bebidas. Existem também uma única escola e crianças por todos os lados, ora vendendo artesanatos ou ora jogando futebol na praia.

Aventuramos-nos na praia a jogar futebol com algumas crianças  e apanhamos feio. Pesaram os 3.800 m de altitude. Jogar na altitude é “phoda” mesmo. Agora entendo os jogadores de futebol.

Marmanjos de 20 a 30 anos perderam feio para crianças de 10 a 13 anos. Tomamos um sacode. Placar do jogo: Crianças da Ilha. 11 X 4 Marmanjos (tenho que contar isso: dois tempos de vinte minutos: primeiro tempo 4 a 4 e segundo tempo já viu né!). Pensei que teria um ataque cardíaco.

Em alguns pontos da ilha não existe eletricidade. Então, à noite, recomendo uma lanterna e recomendo ainda ir para a praia da ilha (na parte que falta eletricidade) para verem o céu mais bonito do planeta, afinal são 3.800 m de altitude.

A impressão que se tem é que as estrelas estão mais perto de você. Ah e tem sempre um ou outro cultuando a Jah por lá. Tome cuidado com as malandragens (que existem em qualquer lugar não é mesmo?) e apreciem o céu da ilha à noite. É simplesmente incrível. Mas não se esqueça de uma lanterna que pode ajudar bastante.

Blusa de frio e agasalhos nem preciso falar né!? A temperatura à noite cai bruscamente beirando dois ou três graus em pleno janeiro.

Ainda na ilha, sugiro o Palácio dos Incas (construções em pedra), um dos oito sítios arqueológicos da península. O cenário é um tanto quanto enigmático e vale a pena conhecer.

Para chegar ao Palácio pegue uma trilha (bem fácil achá-la, só perguntar a qualquer nativo) e verá uma montanha cheia de plantações de trigo com um perfume no ar único. Passará ainda por crianças levando llamas e alpacas para pastarem e sempre terá alguém a tentar vendê-lo um artesanato…

Outro lugar legal é o museu que abriga belíssimas obras de arte entre: quadros, crânios humanos e cerâmicas das culturas Inca e Tiahuanacota. Muito legal.

Na Ilha do sol você pode conhecer também o Museu Subterrâneo de Ekako (abriga a maior coleção de objetos arqueológicos e antropológicos da ilha) e as Terrazas de Pachamama (terraços incas com mais de 200 espécies de ervas medicinais e produtos agrícolas andinos). Dizem que o museu subterrâneo foi formado pelos espanhóis quando jogaram os símbolos incas no lago para substituí-los por peças espanholas, sobretudo católicas.











Tudo naquela península tem um quê de místico e esotérico. Conversando com um nativo, descobri que a Isla del Sol é considerada pelos mais místicos como um dos mais importantes centros energéticos do continente americano. Talvez um pouco sugestionado, acho que senti mesmo um pouco as energias daquele lugar.

Dois dias lá creio que são suficientes. Um dia para o lado norte e outro dia para o lado sul me pareceu adequado. Mas se quiser esquecer do mundo e buscar tranqüilidade e descanso, sem dúvida, lá é “o lugar”. Naquele lugar e atmosfera o que reina é a paz. O tempo passa devagarzinho em brisas suaves que refrigeram a alma. Simplesmente trago na memória momentos ótimos que vivi naquela ilha.

Após retornarmos da Isla del sol onde ficamos dois dias, só passamos uma vez mais por Copacabana e tomamos rapidamente o ônibus para Puno já no Peru. O bacana é entrar pelo Peru seguindo a estrada que circunda parte do Titicaca. Mas isso… fica para um próximo Post.

 

Comentários
  1. pÉRI disse:

    SHOW DE BOLA SEU RELATO
    PARABENSS

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