Jornalismo X Jornalismo

 O jornalismo é sério, o jornalismo é brincadeira, brincadeira são esses políticos e STF que acham que estamos brincando…

  Há de se chegar o dia da obrigatoriedade do diploma!

 Enquanto isso, escracho e seriedade são

donos deste lugar…

 

 

Do longo caminho ao jornalismo experimentado

Do longo caminho

 

Há cinco ou seis anos estava para me formar em Direito. Já tinha passado por diversas matérias (tinha aprendido bastante) e as que mais chamavam minha atenção eram as de cunho humanístico, filosófico e sociológico (creio que estas últimas me trouxeram ao jornalismo). Nessas, me dava bem sempre… já nas outras nem tanto.

Não era questão de notas (sempre as tive em provas e trabalhos, passava até com ótimas notas). Não me dava bem, na verdade, porque muitas vezes questionava profundamente o que aprendia. Colocava-me a questionar as leis e todas as suas lacunas. Sentia o amargo de seus erros, suas injustiças e seus abismos. O que eu aprendia parecia que não era direito. Para mim era tudo menos direito. Era correto, idôneo e legalista para a maioria, mas para mim sempre as leis prejudicavam ora o “pobre”, ora a “puta” ou ora o “preto”…

Eu sentia poderes paralelos assim como existem o judiciário, o legislativo e o executivo; só que com agravantes que feriam minha consciência e, sobretudo, sentia arder a “legalidade” na pele  dos menos favorecidos. Ah… e minha monografia ao final do curso foi sobre Direitos Humanos, diga-se de passagem.

Questionava também o modo como os professores se comportavam em relação aos alunos. Existia para mim um muro de concreto entre ambos. Na faculdade de Direito me chamavam (muito antes de formar-me e passar na prova da OAB) de Doutor… acreditam? Eu detestava isso… não entendia mesmo o porquê de tanto formalismo (não combino com isso)…

Era um aluno mediano e às vezes abaixo da crítica. Não sentia a menor vontade em buscar mais conhecimento na área. Isso me deixava num profundo desalento não sabendo ao certo se eu era capaz ou se realmente não deveria ter perdido tanto tempo com as juridicidades. Dúvidas sempre me sobressaltavam. Quis muitas vezes trancar ou largar. No entanto, quis a mão do destino que pelo menos me graduasse. E a quem possa interessar a prova da OAB nem fiz…

Via colegas apaixonados pelo Direito e se dando bem na área. Eu? Pingava no estágio num escritório de advocacia aqui, ora num outro estágio no Ministério Público ali e em outro numa Delegacia de Divinópolis/MG acolá.

O que eu queria mesmo era conhecer histórias, lugares e pessoas. Escrevê-las. Descrevê-los. Vivenciá-los. Não me atinha ao positivismo do Direito e às vezes até me esquecia dele. O estágio mais marcante para mim foi um estágio que durou cerca de dois anos numa Delegacia (trabalhei com uma Delegada extremamente humana e nunca me esquecerei dela).

E na Delegacia eu fazia o que realmente gosto de fazer… pesquisar, ler e escrever!Fazia relatórios de boletins de ocorrência, tipificava crimes e fazia denúncias que a Delegada (depois que ganhei a confiança dela) só assinava e oferecia ao Ministério Público.

Lendo as trágicas, cômicas e injustas folhas dos inúmeros B.O’s (boletins de ocorrência) eu viajava naqueles universos e atmosferas humanas e cumpria mesmo que inconscientemente meu papel de estudante de jornalismo. Lendo-as aprendia sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o comportamento humano e me colocava a relatar os ocorridos nas resenhas que fazia para a Delegada. Ali foi minha primeira escola jornalística.

De fato o que eu respirava a época não me motivava e seguia minha vidinha pensando em concursos públicos. Seguia todas as regras do estudante de Direito. Trajava-me como um doutorzinho, consumia livros jurídicos e negava (por conveniência, comodismo ou sei lá o que) minha artéria jornalística que sangrava e ainda sangra.

Fazia direito sem pensar muito no futuro. E depois de um longo e tenebroso inferno tenho agora a excepcional oportunidade de fazer florir minha essência eminentemente jornalística. Hoje me vejo jornalista e sonho. Sonho. Ponto final. Sonho.Caminho.Reticências…

Tenho descoberto o jornalismo e seus desdobramentos por mãos de professores jornalistas  que, antes de serem jornalistas,  são  “humanos” com uma capacidade ímpar de senso crítico. Sentir isso e aprender com isso tem me levado a estágios de contentamento nunca antes experimentado por mim. O senso humanístico de alguns professores (confesso-lhes) tem sido bálsamo revigorante à minh’alma. Que benção ser assistido por eles sem os formalismos do passado. Encontrei gente parecida comigo. Sensíveis por natureza e questionadores por opção. E humanos, que benção! Humanos!O papo é reto eu diria. Não sinto mais aquele discurso demagogo e floreado do Direito que me sufocava.

Esta semana li um fragmento do livro “Por trás da entrevista”, escrito por Carla Muhlhaus (obrigado professor e orientador Aurélio) que me motivou a escrever este post. Cá está.

Li aquelas páginas e parecia que me via nelas. Outra benção! Vi nelas parte de mim. Parte do que sou e o que serei.

Do jornalismo experimentado

 

 O texto de Muhlhaus trás a idéia de que não há jornalismo sem entrevistas e enfatiza sua importância. Traz a idéia de que entrevistar é uma técnica e uma arte. Mostra que o bom jornalista e o bom jornalismo estão intimamente ligados à arte de fazer perguntas. Confesso-lhes sempre o vi assim.

Coisa interessante que se percebe é que a autora enfatiza a idéia de que na tarefa de entrevistar, o jornalista deve primar (desde o ambiente acadêmico) pela responsabilidade na feitura da entrevista e preocupar-se na preparação prévia desta. Afirma a autora que “tudo na entrevista depende da interação pesquisa-pesquisador” e que é preciso pensar a entrevista para que se obtenha um resultado eficiente no tocante ao seu resultado final.

No meu modo de ver a preparação da entrevista é uma das etapas mais importantes da pesquisa e requer paciência por parte do jornalista. Outro ponto importante é o planejamento da entrevista e a escolha correta do entrevistado, que deve ser alguém que tenha familiaridade com o tema a ser pesquisado.

Deve haver e serem buscadas condições viáveis e favoráveis que possam garantir ao entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e, por fim, primar por uma preparação específica que consista em organizar o roteiro das questões mais importantes. Juro estou atento a isso.

Não acontece pela sempre falta de tempo do jornalista, contudo, ideal seria se o jornalista preparasse as perguntas antecipadamente. Fazer uma pergunta por vez e não tentar misturar mais de um tema na mesma pergunta.

Outra coisa que acredito é que a estrela de uma entrevista não pode ser o entrevistador e o jornalista deve deixar as perguntas certas fazerem o seu trabalho. O jornalista deve ter cautela para não elaborar perguntas ambíguas e/ou tendenciosas. Os questionamentos devem ser feitos respeitando o pensamento do entrevistado ao dar continuidade na conversação.

Ao fazer as perguntas certas e dominando o assunto previamente o jornalista terá maior capacidade de adentrar ao universo do entrevistado e a matéria ao final ganhará aspectos que enriquecerão o conteúdo informativo e, por conseguinte, ganhará então mais credibilidade.

O que ficou claro para mim lendo o texto de Muhlhaus é que o jornalista não deve somente valer-se de informações prévias sobre determinado assunto em jornais e revistas permanecendo em seu gabinete na redação. Se permanecer somente com as informações que obtém pelo telefone, pela internet ou no ambiente de trabalho viverá a superficialidade do assunto e não poderá desdobrá-lo e trazer aos seus leitores mais conteúdo. Corre inclusive o risco (caso não domine o assunto) de fazer uma entrevista engessada, estúpida e pobre, não tendo assim condições de abstrair do entrevistado maiores anuâncias sobre o assunto que será perguntado.

Deve antes lançar-se no encalço do assunto (pesquisando sempre muito mais), sejam com fontes outras, ouvir quantas vezes for necessário as fontes oficiais e buscar ouvir outras pessoas que dominam o conteúdo a que se quer falar. “Sempre será preciso ouvir mais pessoas, mais fontes e obter mais informações para que o texto esteja conciso”. (dizeres do professor  Reinaldo)

O jornalista não pode ficar no “plano dos achismos”, pois é através das perguntas (munidas de um conhecimento prévio) que o profissional alimentará a sua matéria.

Outro ponto que acredito é que o jornalista tem que ter em mente que nem sempre as respostas das entrevistas são absolutas ou óbvias. Sempre existem outras verdades e mais conteúdo a ser explorado.

Tenho conhecido várias definições sobre entrevistas, técnicas e um bocado de coisas novas. O que me salta aos olhos uma vez mais (porque também experimentei a ética e matérias de deontologia dentro do curso de direito que fiz)  é a questão da ética do profissional. Uma busca contínua, eu diria.

Outra faceta que julgo de necessária observação é que quando se faz a entrevista ( acho que ainda não tenho o devido cuidado e manha) o jornalista deve verificar quais são os interesses daqueles que respondem (que muitas vezes permeia interesses comerciais, políticos, ideológicos ou mesmo pessoais).

Acho que a grande sacada do jornalista é não incorrer em inverdades e saber onde se encontram estes interesses. E neste processo, é o trabalho de apuração que se define como algo extremamente importante.

Um jornalista que não apura a informação recebida corre um grande risco de sua matéria cair em superficialmente e quem sabe num completo descrédito. E aqui agiganta-se a idéia de que a entrevista (bem perguntada e analisada) deve ser minuciosamente observada com olhos jornalísticos cuidadosos e paternais para só então, ganhar ares de um trabalho coeso e ético. Estou tentando…continuarei…erros aqui, erros acolá…vou lapidando…”apertando  o play sempre”!

Para finalizar este post faço uma oração. Agradeço a Deus todas as oportunidades de minha vida e reforço a fé de continar sonhando com retiscências… transmutando-me aos poucos num  “ser-jornalista”…

 “O jornalista é um poeta delicado: sempre acha o rascunho mais sincero do que o publicado”. por Alex Moraes. (presente da jornalista Tânia Aguilar da ANVISA – Brasília/DF, ano de 2008)

 

Jornalista pede demissão ao vivo

O jornalista Paulo Beringhs da TV Brasil Central, pediu demissão ao vivo na bancada do ‘Jornal Brasil Central’, apresentado por ele. Segundo Beringhs, o pedido de demissão foi ocasionado porque a Agecom, – Agência Goiana de Comunicação – mantedora da emissora ameaçou a produção de seu programa e tirá-lo do ar caso algum convidado contrário politicamente à agência pudesse ser chamado. Indignado e censurado, Paulo não titubeou e jogou tudo no ar. Veja.

“Garanta seu emprego que eu garanto minha dignidade”, foram as últimas palavras do jornalista.
 
Artigo Original de MadeinBrasilis.com.br
 
 

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