**Poesia Maldita**

…a atribulada existência inaugurou  em mim uma poesia maldita que sendo fruto do inferno e do céu  há de perpetuar-se…

Digam-me vocês se este crime poético compensa…

QUANDO O AMOR PERDE A VONTADE

Por Joãooooooo

O amor não quis mais

quando os olhos azuis nebulosos e perdidos

cruzaram-se naquele instante

com os castanhos há muito,

cansados

O amor foi embora

num olhar penetrante e gélido

quem nem lembrara a outrora irresistível do passado

O amor não quis mais

quando num ato falho e impensado

os seus donos de direito

abdicaram inconseqüentes

dos seus sóis reluzentes,

quentes e abençoados

O amor foi embora

na negra sala que os amantes se encontraram…

não havia mais luz

somente paredes frias e metálicas

testemunhas cruéis

de um absurdo desacordo

O amor não quis mais

no momento único e exato

que o passado ferido agigantara-se…

O amor foi embora

ao perceber a disputa sem sentido

que se iniciara

O amor não quis mais

a frágil, seca e infrutífera

justificativa falseada…

O amor foi embora

pela intensidade desmedida

e imprudência da verbalidade…

O amor não quis mais

a união desunida

o filho não nascido

que pena sinto, do nascituro amaldiçoado…

O amor foi embora

por interesses mundanos

perfeitamente entendidos

de um casamento que virá para ela, arranjado…

O amor não quis mais

a exigência de inocentes desordenados

o marginal equilíbrio

dos seus, dos meus e dos nossos

desequilibrados…

O amor foi embora

por ilhas de distância criadas

por equivocadas ondas de maresias cortantes

extremamente salgadas…

O amor não quis mais

a lágrima que não veio,

a palavra cerceada,

o choro velado,

o orgulho dilacerador,

a mal-vinda sinceridade…

O amor foi embora

num último encontro

da carne quente e nua

de mortos amantes

despediu-se em beijos-morte…

O amor não quis mais

o círculo de fogo criado

a ofensa do fogo-amigo…

O amor foi embora

pelo cansaço da  insônia

na disputa de quem pode mais

quem ama mais,

quem será mais amado?

O amor não quis mais

a noite quente de um sábado que resfriou

os sentidos da racionalidade…

chega de sexo, drogas e rock’n’ roll…

O amor foi embora

pois é preciso casar Maria

afastar João

O amor não quis mais

os conselhos inaconselháveis

a miopia da aceitação…

O amor foi embora

por conselhos angustiados

esquecendo os dias felizes

do bem feito

dos amados…

O amor não quis mais

o lapso da impulsão

em tempos em que o que vale

quando vale,

vale sempre menos

O amor foi embora

com a ciência de um amor doente

sem cura para um “Dr. Passado”…

O amor não quis mais

a injúria purgatória

o ato falho desnecessário

O amor foi embora

pois o que impera é o sexo, a grana, a aventura,

a devassidão…

O amor não quis mais

os amantes perderam seu trono de beijos quentes

a coroa dourada de abraços aconchegantes…

O amor foi embora

num grito surdo de esperança

do ruim não ser verdade

O amor não quis mais

a reunião do medo

a cega obediência

o interesse desinteressado

O amor foi embora

pelo efeito paliativo e paralisador

que não findou a verdade deflagrada: eles se amavam!

O amor não quis mais

o estado de rebeldia

e naquilo que não se concordava, se acovardaram…

O amor foi embora

a dor que fica e corrói

eleva o coração-espírito

a um plano não antes imaginado…

O amor não quis mais

usos e costumes

convenções, mal-querências, falsas conclusões…

O amor foi embora

deixou órfãos desesperados

desnutridos, frustrados

mortos pela fome da incompreensão…

O amor não quis mais

a dor do poeta

que cegou a si mesmo

ao perceber-se não mais amado…

*Doeu no amor o luto do poeta

que jurara não mais escrever

não mais amar, não mais acreditar…

O amor foi embora

a cantora cantou suas mágoas

o poeta rascunhou suas aflições…

O amor não quis mais

perdeu sua nobreza

a alma branca perdeu seu norte

numa dor rubra de uma quase morte…

O amor foi embora

pela consciência algoz e autoritária

buscou abrigo em outras bandas…

O amor não quis mais

a indiferença mastigada e engolida

o senso estrábico de justiça

daqueles “não encontrados”…

O amor foi embora

pela fadiga dos problemas

pela busca de vã soluções

pelo “fazer-aparecer”

acontecer…

O amor não quis mais

os injuriosos artífices

a inveja do não conseguir

o erro dos amantes…

O amor foi embora

o alegre mundo se decompôs

perdeu-se sua filha legítima: a paixão

voou alto com as negras asas da insenbilidade…

O amor não quis mais

não existe mais gosto, calor e cheiro

ficou um pulsar fraco e doente

de um coração mutilado…

O amor foi embora

exoneraram-lhe o cargo

da estabilidade e brilho

restaram só cacos, fragmentos sem valor…

inutilizáveis…

O amor não quis mais

a face da discórdia

o olhar oceano da amada

que perdera-se em “ondas maremoto”

O amor foi embora

a melodia soou uníssona

badalaram os sinos do arrependimento

frustração se ouviu…

O amor não quis mais

a não criação

a paz que não houve

o universo de sentidos

que não foram lapidados…

O amor foi embora

fica o agradecimento pela lição

se despede a alma maculosa e aflita

querendo por agora, apenas,

legítima redenção…

O amor não quis mais e foi embora

enfim, o amor,

por fim, o amor,

pôs fim ao amor…

* E um dia, anos depois “ele” reconciliou-se com o amor.

Redescobriu sentimentos nobres, aprendeu verdadeiramente a amar.

Conheceu uma flor. Permitiu que ela reinasse e voltou a (voar) escrever…

CORPO PôR- DO-SOL

por Joãoooooo

De que matéria é feita essa sua “morenice” que quero tê-la para mim?

Que dourado pôr-do-sol  é esse que me queima a pele, invade meus sentidos e faz doer lá no fundo da alma?

Raios solares que ofuscam meus olhos. Que angústia alucinada sinto (que voraz me consome) quando você se vai…

Já que queima, não quer ficar?Entre e reine à vontade!

Construa seu reino solar de raios brancos.

Que desatino não possuí-la!

Já tracei minha estratégia: da sua “morenice” não me afasto mais minha querida.

Se o seu corpo é Pôr-do-Sol quero ser montanha velha, serra nova e monte  verde  a acolhê-la!

O brilho de seus raios queimam alaranjados em mim…

É tenho que lhe confessar. Seu corpo tem a cor de um Pôr-do-Sol!

É um dourado que me perco, contemplo e não canso de assistir!É quase a cobiça do ouro, sinto o gosto alaranjado da sua pele.

Flor que reina a ensolarar. Amarelo forte a me iluminar. Seu corpo tem cheiro de tardizinha que insiste dia quando noite em mim se agiganta!

Ah esse seu corpo me lembra o verão!

Quanto estou ao seu lado  sinto calor, suor e vontade de tirar a camisa!

O que eu quero mesmo é ser verão!No verão o pôr-do-sol é mais bonito!

Quem não gosta de contemplar um Pôr-do-Sol?

Quero de você o fim de tarde, sua noite, madrugada e dias…

Sua “morenice” é meu sol noite adentro!

Acertada mão de Deus que não escureceu nem clareou!

Salpicou você de um amarelo amorenado que é benção e redime o pecado!

Boca gosto de canela! Gosto bom que me embriago!

Dá-me uma dose do seu sorriso?

Levo-o ao meu travesseiro e durmo o sono dos justos!

Quem edificou esta matéria  pôs nessa “morenice” a sua alma?

Porque é essa sua alma solar  é que dá asas aos dias de minha vida.

Alma branda e dourada! Corpo-alma que me eleva! Corpo-verão que me esquenta! Flor que reina nas terras do meu espírito! Esses meus olhos só enxergam o seu sol.

“Corpo-alma- tardizinha” sem tempo e sem hora. Reluz em em mim puro desejo…

REDIVIVO HOMEM

Por  Joãoooooo

Quem pode na calma aparência

saber as cores e dores

que me corroem por dentro?

Uma vida de quatro linhas

cegas  frases de impacto, duas estrofes

pequena alegoria…

Sem entender minha existência

tenho somente uma bússola: a boemia

Não sou homem da cidade

nem do campo

para ti revelo-me

eis minha face

sou cratera no meio da lama

estende-me sua mão…

Não venho de vir,

venho de andar

não sei o que é certo

não sei o que é incerto

o que será que cativei?

Mostro-lhe minha nudez

não me envergonho dela

quero vê-la em mim polida

desejo partilhá-la

Em rota nublada

me via perdido

em noites mundanas,

pernas abertas e seios-carinho

Se buscava um norte

na vida mundana não encontrei,

por ser demais serendiptoso,

Confesso-lhe: me ferrei!

Tive  amizades “amigas”

companhias de corpos mundanos

em sexos frágeis

mulheres artistas…

Isso  foi o que cultivei

perdido no meu encontrar

fui e sou escravo de prepotências

egoísmo e fobias

Tenho a alma feita de soluços

e  dádivas sem recompensa

matérias mortas

da minha inconseqüência…

Uma alma feita de piedade

destroços de geométricas ilusões

sonhos descoloridos

troféus de um náufrago suicida…

Ouvindo o som da minha dor

emerjo em espumas de esperança

das ondas de minha vida

quero o sal do mar

para lavar minha sujeira

mostrar-me um “belo horizonte”

Uma nudez de menino

é que quero vestir

de um anjo nascido ontem

dispo-me de minha antiga couraça

extipo minha nudez imoral

já não sou mais fuga…

Querendo novos mares

poetizo o mapa que preciso

revelo-me sem hesitar

seus negros olhos são agora

minha homilia

Por lhe querer mais que tudo

proponho-lhe sinceridade

em linha reta (a geometria do meu paraíso)

sem mais atmosferas densas,

injeto-me de combustível

se quiseres,

caminho ao seu lado, contigo…

Ainda sem roteiro certo

continuo meu navegar

subscrevo-me em silêncio

e na primavera de nossas almas

busco o seu amor…

Fui cão do mundo

carreguei a bandeira dos vícios

por agora, busco redenção

viver pleno para vida

chega de devassidão…

É tempo, pois, de um amor-verdade

Com raízes sinceras

Sinceras verdades

Sou assim, fui assim,

sou redivivo homem.

VERSOS INSANOS E LIVRES

Eu tentei uma poesia escrever

que traduzisse

à minha real imagem

um auto-retrato do que sinto

uma poesia onde eu caiba em cada verso

cópia  fiel do meu caminhar

Imortais ofendidos relevem

meus versos tortos gritando ao mundo

que não cabem nas métricas e compassos

mas que desejam voar

Eu vibro versos

poetizo caminhos

ato insidioso que me ensina

“versos-sentimento” que caminham

Às vezes choram lágrimas por mim

rascunhados em poucas palavras

aguçam meus sentidos

me ensinam  um pouco mais

O que escrevo

se assemelha ao  vento

“versos-vento” que pressinto

que me fogem pelas ventas

sopram fortes quando querem

calam quando querem calar

Vejo os versos como estrelas

surgindo do espaço estelar

para darem a quem enxerga

mais beleza

um novo modo de enxergar…

Oh Pai Querido!

eu sei que nunca meu destino

irá se igualar ao seu

amando-te poetizo os meus caminhos

e em versos amo-te muito mais

Nem versos nem tempo

conseguem deter

nossos peitos de aço – eu sei

e nossos jeitos de ser

Perdoe-me não seguir seus passos

sinto um mundo diferente do seu

meu mundo é repleto de versos

“completamente meus”…

Escrevo para não chorar

lapido versos para apaziguar

domar feras que só mudam de nome

de vidas de pai e filho que se amam

e não desejam mais brigar

Triste a sina do “poetar”

a girar voltas sem fim

continuo o meu passo mudo

recrio  alegorias de mim

Dos versos sou carinho,

sou filho, pai, esposo e amigo

sou orvalho cálido, beija-flor ligeiro

Deus sabe o quanto valho

eu só valho por ter tu ó Pai Querido

como meu espelho

Oh Pai Querido! És para mim um modelo

e pelos versos eternizo esse sentimento

és meu eterno espelho de conduta

minha vida,  meu apelo

Versos às vezes eu quero ser

olho-me quando poetizo

abraço-me quando posso sem dor

desejo-me outros caminhos…

Se me acho diferente

busco olhos reais

enxergo versos escondidos

caídos do meu espírito…

Meus versos estão onde a esperança campeia

estão em tu ó Querido,

são frutos de nosso “lar-família”

só querem caminhos novos a escolher

Estes versos insanos e livres

abrigam-se nos sonhos que tenho

caminham pelas pernas da literatura

e não da advocacia.

Arranquei os meus disfarces

quero agora que compreendas

que versos insanos e livres

são vida nova que quero sentir

Lancei minha voz nos versos

ganhei de retorno malditos poemas

entendi-me feliz e contente

busco agora ó Querido, sua benção.

Meu poetar não quer ferir

nele somente pinto meu retrato

de um novo amanhecer

entre sóis ensolarados

flores que brotam da terra…

Não quero ser literato

nem me julgo talentoso

mas meus versos cantam o esboço

do meu crescer…

Quero um dia erguer os olhos

mirar sua face de pai

saber em pensamento instantâneo

que cumpri sendo-lhe sincero

o meu dever…

Versos insanos e livres se completam em mim

o  insano buscar amar

o livre encontra-se com  o sentir

“livre-sentir-insano” de querências

meus estilhaços mais caros de esperança…

Faço versos de paz e versos bandidos

minha voz libertária e rouca

traz à tona o que sinto do mundo

versos roucos mudos libertos

eu quero mesmo é viver…

por Joãooooooo para o Dr. João Paulo Costa – Vice-Prefeito do Município de Cláudio/MG - advogado - mas que para mim é só meu paizinho que tem cheiro de talco! Querido abraço, guru espiritual e mentor intelectual…

Sua pele é minha pele, seus cabelos brancos são os meus, seu sangue, suas ideologias, sua luta, seu amor e alma correm ligeiros em mim…

Transmutam-me, transformam-me, enobrecem-me e edificam minha existência…

Quantas vezes for preciso, quantas vidas se fizerem  necessárias, quero nascer e renascer como seu filho e carregar em mim a dor e as delícias de também ser João.

Que orgulho sinto do Senhor!

Eu te amo meu pai mais que a mim mesmo…

Se eu for metade do que é… já me darei por satisfeito!

Meu alicerce carinhoso, que benção tê-lo por pai nesse plano terreno!

Que Deus abençõe seus caminhos agora e para sempre!

Amém!

QUADRAS DE PASSARINHO

por Joãooooooo para Jéssica Tironi

Quadra I

Ontem, quando o fim da noite chamava-me ao sono,

surgiu um passarinho…

sorrateiro entrou pela janela da madrugada, dizendo-me:

___Perdoe-me, será que errei de ninho?

Quadra II

Não. Acertaste pássaro-flor. Faz- me agora volver a tempo diamante

amor de pássaro que deixa tudo para trás

faz-me volver neste exato instante,

aos tempos sonhados de paz…

Quadra III

Quero somente beijar-lhe a boca, acariciar sua nudez

quero tanto, com tanta paixão, tanta

voar rápido ao encontro do seu corpo

beijar-lhe bico doce e face que encanta…

Quadra IV

Seu amor ruiu em mim o velho homem sobrado

caiu-me o estilo velho e colonial

deixou-me portas abertas de esperança

paredes-faces pintadas de novo cal

Quadra V

Então, de súbito eis a claridade, a brancura esperada

maior que a luz que da estrela desce

que voraz todo o quarto invade

é o amor, que reina agora e cantando como pássaro: aparece!

Quadra VI

Voa pássaro, voa, voa como dente de leão

foge pois, da tempestade, foge

agarra-te aos negros olhos, negros,

lança-te aos ventos da felicidade…arde!

 

HÁ QUEM DIGA

por Joãoooooo

(…) há quem diga…

(…)que antes de tudo e da criação existia o “verbo”

que Ele criou o homem

que viemos dos macacos

que os jardins da Babilônia eram uma diversão

que quem não se expressa não se realiza

que o leão da Tribo de Judá há de retornar

que Adão e Eva não morderam a maçã, fizeram pois, transar loucamente…

que a vitória do egoísmo é o fim da humanidade

que o sexo antes do casamento é pecado

que pecado é não transar antes

que cão que ladra não morde

que seios enormes e fartos dão mais tesão

que nasci há dez mil anos atrás

que a bunda da mulher brasileira é a mais redondinha

que as loiras são melhores

que as morenas arrasam

que as ruivas são vermelhas de quentes

que as mulatas tem fogo no rabo

que as japinhas são demais

que bom mesmo é mulher do vizinho

que a mudança é o motor da história

que devemos respeitar os mais velhos

que quando penso, logo existo

que o art. 5º da Constituição é colocado em prática

que jornalismo não dá dinheiro

que sou teimoso feito uma mula

que o TV Fama é só fama

que sonhar demais não leva a lugar algum

que devemos fazer o que gostamos

que a festa é estranha e com gente esquisita

que amigos se reconhecem pela íris

que Karol Józef Wojtyła foi um papa homem santo

que teatro é vida e glória

que o arco-íris tem sete cores

que a ganância é irmã de criação do egoísmo

que a maquiagem esconde imperfeições da pele e da alma

que maledicência é arma em punho para os fracos

que os tucanos são animais dóceis e domesticáveis

que actívia solta o intestino preguiçoso

que o tão falado choque de gestão é pura sacanagem

que o Luís Inácio sabia de tudo

que mensalão agora é bolsa família

que pesquisas são falsas e manipuladoras

que o futuro pertence a Deus

que o Osama vive num cafofo do Casseta & Planeta

que Che vive

que a televisão é coisa de Satanás

que a política estadunidense é imperialista

que o ódio é o pai da vingança

que quem cala consente

que Hitler era muito simpático

que holocausto judeu não matou tanta gente assim

que a Palestina é terra de Israel

que não devo me preocupar com os outros

que os outros são só os outros

que sem os outros não sou ninguém

que fora da caridade não há salvação

que Hugo Chaves é um novo Fidel

que Evo Morales acompanha o voto do relator

que o Gianechini é um bichinha

que todo mundo esconde um segredo

que não há espaço para lamúrias

que o muro das lamentações chora em ver tantas lamentações

que devemos pensar em Deus e no futuro

que o poder do homem e do dinheiro corrompem

que Torquato não é tropicália

que dignidade e sinceridade já se foram

que o livro é um universo em desencanto

que o Rio de Janeiro continua lindo e não-violento

que não há pão nem convicções abaixo da linha do equador

que as orelhas não param de crescer

que o sol um dia não vai mais esquentar

que buraco negro é um portal para outras galáxias

que não estamos sós no universo

que o E. T. de Varginha existiu

que a pérola nasce da musculatura ferida da ostra

que o bolsa família ajuda gente pobre e gente rica

que o Neimar é o novo Pelé, só que mais nervosinho

que religião é coisa criada pelo homem

que quem não ousa não pode berrar

que Van Gogh não cortou suas orelhas

que Saramago ensaiou-se com a cegueira

que Elvis não morreu

que Bruno não matou Elisa

que Aquiles não tinha calcanhar

que Helena de Tróia era obesa e mal-cheirosa

que quem conta um conto aumenta um ponto

que o salário óoooh!

que os lírios mais lindos nascem nos mais fétidos lamaçais

e que a desintegração do átomo é o fim da poesia.

Há quem diga muita coisa.

Concordo e discordo.

Há quem diga muita coisa por assim dizer.

No entanto, meu palpite mesmo é que somos todos redentoras poesias escritas por um poeta meio louco chamado Deus. Versos tortos e estrofes incertas rascunhadas em papel santo de pão. E que para Ele, pela vontade Dele, um dia, retornarão… em métricas descompassadas. Em hipérboles e matérias mortas. Tortas. Vivas. Viva. Vida. Perdoa. Perdão. Sempre parafraseadas por uma poesia santa e maldita, ora do inferno e ora dos céus.

 

AS PALAVRAS E O QUE SE PODE ABSTRAIR DELAS

Por Joãoooooo

Já combati, já morri, já nasci, já sangrei

já dormi, já acordei, já sou, já fui, já vou

já fui poeta maldito,

já sou estorvo redentor

e é por isso que estou aqui

entre palavras, muitas palavras

caminhei e caminho por palavras…

palavras

 

 

Purgando palavras, palavras

ecoando palavras, palavras, palavras

virgulas e palavras

Purgando palavras, palavras

palavras-versos dos meus velhos e novos “pecados-palavras”

agora choro palavras para amanhecer palavras, palavras

palavras

 

Palavras não entram no meu céu-inferno, palavras

inferno de palavras, casa das palavras, palavras

quero comer as palavras, cagá-las, palavras

Adormecer em seus braços feitos de palavras

luar de palavras

palavras

Delas sou escravo, palavras

sou prisioneiro, palavras

sou dono sou cúmplice, palavras

giro rodopio, palavras

bebo, me embriago, palavras

gozo, dou três, dou quatro, palavras

palavras, chicoteá-las, palavras

furá-las, cobrí-las, palavras

arrastá-las, maltratá-las, palavras

palavras, chupá-las, transá-las, palavras

metê-las, amá-las, cuspidas palavras

palavras são só palavras

palavras

Descomunais palavras, vejo e sinto a fortaleza das palavras

palavras ao vento, palavras

palavras ofensivas, palavras

rancor, palavras

dor, palavras

perdoadas palavras

palavras, redentoras, palavras

maldosas palavras, invejosas palavras

palavras não servem de nada, palavras

quero fazer com que todos engulam

palavras

ajudai-me nobres palavras

é seu filho que pede

mais vírgulas e outras palavras

legítimas palavras,

façam todos engolirem “suas” duras palavras

palavras do mundo, palavras

engulam todos

cagem (se borrem todos) em suas equivocadas e hediondas palavras

palavras equivocadas, palavras

palavras, palavras e palavras

quero o fim das palavras…

CHUVA MALDITA POESIA

por Joãooooooo

Ela ganhou alguns versos de presente

versos tortos que falavam para sua alma

alma branda que são pequenos poemas

que sabem ler meus olhos de fera

Quando eu não mais procurava, a encontrei

coração saltitante

balançando, querendo dançar

ar de menina-moça-infernal eu vibrei

não quero mais nada: só quero tê-la…

Depois de um tempo vi os dois seios dela

um era feito de luz, o outro faiscava fogos ardentes

não me contive mordi seu pescoço como vampiro

apertei seios com mãos contentes

Ela tem dois livros

na estante ao lado da janela

vejo dois brincos de florzinha

presos, adornando a orelha dela

ela tem dois perfumes

um com o cheiro do seu corpo e outro bem sutíl,

aromatizante-entorpecente feito do cheiro de canela

Ela tem dois negros olhos

cabelos pretos ianomami

olhos negros que são espelhos

cor brilhante coroada

vez por outra sorriem para mim

sedutores e sexualmente abençoados

Quando a vejo vestida quase não me aguento

vem o desejo de acariciar sua nudez

beijar com língua seu par de coxas lambidas

apaupá-la, morder nádega bruta-felina

usar minha boca nas curvas de seu corpo

mapear suas zonas erógenas

sou sol que venta de dentro para fora

quero pernas abertas, controlo a ânsia

ouço o silêncio gemido

Sinto em mim tato desperto

Olfato instigante

miro uma esfinge vermelha chovendo

ouço a linha dourada do horizonte

que tem o calor de suas nádegas bandidas

manipulo a dádiva do paladar

O desejo sobe pelas duas pernas

navegam em suas costas nuas

sinto quando sua virilha cintila

mordo faminto seus seios de rosa-cruz

O sol que entra por debaixo da calcinha

um amor-cópula de setecentos orgasmos

escandalizo seu umbigo em fagulhas

faço arder

sexos famintos

Labareda clitórica

púbis, vulva, vagina

deliciosa harmonia ouvida

orifícios de flores

sorvo seu orvalho

tocando, ainda em harmonia, ouvindo

a fusão afortunada, carícias

São agora dois sóis unidos

fluem carnais a brilhar

tara-pureza de amor sentido

explosões em mim: só quero invadí-la

Minha barba em sua nuca felina

escuta sua vontade

sente o encontro de rios ligeiros

correndo barcos,

farrapos,

sem leme, sem donos, ligeiros

ligeiros em verdade,

corpos-verdade, felinos

Seu corpo todo treme em folia

o meu acompanha suas duas almas

a da mulher prometida e da ninfa pervertida

sensações gulosas me consomem  famintas

sinto almas apaixonadas e nunca sedentas

encontro-sexo que recria,

outra vez

mais uma

dou três

outra vez recria

Acordo atravessado no travesseiro

era só sonho a sufocar um ser éretil

recomponho-me do sonho-erotismo

sinto o ardor do sexo imaginado

Olho para a janela, volto do encontro

olho para o teto, acordo

apaupo a mecânica do relógio

na minha boca o gosto safado do seu perfume insiste

e em sexo, sublime sexo

desejo tê-la

Olho entre a cortina e a janela,

vejo chuva bandida caindo

chuva de sexo-querência

douradas gotas de poesia

cai agora chuva de esperma sincero

eis a luxúria divina

Chuva mundo fecundo

sacanagem celestial

transpiram todos os meus poros

gozo enfim, poesia

Cai a chuva dos céus,

sou tentado a pensar em você

chuva maldita poesia

rendo-lhe singelas homenagens

É chuva maldita poesia

versos chuvosos bandidos

tentado em escrevê-los

sentimento-suspiro de homem

desejo-homem incontido

CREIO NELE PORQUE CREIO

Por Joãooooooo

 

Creio Nele porque creio

não explico o meu sentir

só sei sentir para dar sentido

sou fé nova abrigo do espírito

que preenche meus vazios,

Suas bênçãos chovem em mim

Creio Nele porque creio

Sua voz sorri em mim

lava minha face dura e espírito errante, lava

enche-me da Sua Glória

esperançoso entrego-me ao porvir

Creio Nele porque creio

não explico minha fé

faz-me filho bem-aventurado oh Cristo!

Filho que louva, louva porque louva

paira a Luz do Fiel em mim

A imensidão do amor do Cristo

afasta meus inimigos

concerta-me dos meus males, concerta

reinaugura meu existir

Creio Nele porque creio

protegido e abençoado sou

filho que busca entregar-se em completo

ao abraço do Pai Amado, abraços

Fiel espada da Justiça

Leão da Tribo de Judá

do Seu colo canto as bênçãos recebidas

louvo a Ti as oportunidades em minha vida

agradeço Sua benevolência

Creio Nele porque creio

o sol nasce esplendoroso para mim

água santa que mata minha sede, mata

dá-me equilíbrio sonhado, sonhos

não sou nada sou apenas filho que retorna

crente em Ti, agradecido em Ti

Creio Nele porque creio

deixa-me leve, esperançoso, leve

o filho desgarrado voa, desgarrado voa

vôo com leveza , vôo

creio em Tí porque creio

celebro Seu amor.

PERFUME ENTORPECENTE

por Joãooooooo

Um perfume entorpecente

anestesia  minha alma

provocante baila pelo ar

suavemente chega em minha narinas

aguça meus instintos masculinos

não penso em nada: quero te amar

Não me aguento e me aproximo

sem perceber sigo seus passos

em sua nuca me enrosco feito um menino

profana pele que exala um perfume

perfume do “querer”

Quero o gosto do seu cheiro

o calor de suas nádegas

te desejo de quatro

de lado de banda

por cima

sinto o gozo pressentido

Sentidos extasiados

me rendo ao seu carinho

mordo-lhe cada parte do corpo

deslizo sem rumo em seus caminhos

Curvas perigosas asfixiantes

faço de você meu ninho

em gozo o casal de amantes

são agoras dois passarinhos

Viciado na luxúria

invadí-la eu quero mais

saciar pois, minha fome de leão

devorar seu sexo e mamilos

no seu corpo de menina

minha mão

Os anos não me chegam

o tempo não passa para mim

quando estou ao seu lado

crio versos dionísicos

meto-lhe minha língua bandida

rascunho um extase  felino

Do seu cheiro eu quero o gozo

quero misturá-lo em mim

erotizo meus pensamentos

no vai e vem  dos nossos corpos

me perco em desalinho…

Seu perfume me faz “adolescer”

sou contigo agora “adolescente menino”

és minha ninfa prometida

do seu reino quero a coroa

das suas asas um vôo rasante

do seu sexo quero a fúria

“adolesço”,  “adolesci”…

Que bom é “adolescer”

sentir-me vivo como um menino

da sua pele de mulher

sou hospedeiro

comê-la me convém

Adormeço no seu perfume

quando se vai fica seu cheiro

em mim, no meu corpo, na casa, no travesseiro

relembro as cenas dos nossos corpos

crio imagens que não me atrevo a dizer

quero novamente,

outra vez mais,

quantas vezes sentir vontade,

comê-la,

metê-la,

amá-la.

A MENINA MOÇA  E O PROMETIDO DO CRISTO

Por Joãoooooo

Menina moça aos domingos vai para a igreja,

iluminada, adentra o salão,

sorri para todos que a enxergam

sua graça ninguém contesta

Seu vestido de cor morango

baila e voa pela catedral em festa

o Vigário ao ver aquela cena

perde-se nas palavras,

volta para si, olha para a Bíblia que o refresca…

O brilho do olhar da Menina Moça

ofusca os vitrais da catedral

a igreja inquieta-se com sua presença

pára as orações

sentimentos mundanos são agora os novos versículos

o diabo radiante se manifesta…

Ela entra pelo templo

senta-se ao lado do seu homem escolhido

um homem franzino de semblante cristão

sua castidade ela detesta…

o Seminarista amigo da igreja

é o céu e salvação para ela

provocá-lo e testá-lo em sua crença

é a sua meta

arrastá-lo para o paraíso que julga mais salvador

é a sua reza…

Em oração protege-se o Seminarista

sente um frio estalando na espinha

seu corpo se enregela

suor das mãos ele observa

sabe que a Menina Moça quer distraí-lo,

desviá-lo do seu caminho,

roubar e devorar sua alma

senti-lo por dentro e benzê-lo

em gozo e  asfixiante desejo

Aos pés do Santíssimo

ela se benze na testa

pensa no corpo daquele Seminarista

ela ninfa prometida ao prazer

não sabe se quer ainda ser fiel amante do Cristo…

 

Acende uma vela, entende-se com o terço

levanta sedutora parte do vestido

quer  provocar os instintos do Seminarista

morde a boca, fecha os olhos, delira em sonhos

simula orgasmos…

o cio da menina procante

fere a pureza do casto homem que,

de alma frágil e bandida

não se aguenta

esquece-se da homilia

e pensa agora em morder seus seios de Maria Madalena

O seminarista resmunga ao Santo:

“Mas que Santa é essa que às outras causa tanta inveja?

Perdoe-me Cristo a desejo em pecado,

livrai-me do mal da querência!

Afasta de mim esta ninfa pervertida

e seus lábios felinos que me matam”…

E a Menina Moça termina a oração

vitoriosa, levanta-se como uma bailarina

rodopia seu perfume por todos os cantos

mostra ao salão suas curvas e carne exposta

sai sutilmente de seu lugar,

deixa um bilhetinho para o  Seminarista

Final da Missa

todos se despedem:

“Ide em paz, O Senhor os acompanhem”

O seminarista que leu o bilhete

vai finalmente encontrar-se com ela

Atrás da Igreja

confessionário apertado

na sala de orações o êxtase se aproxima

a  Menina Moça se encontra com o Prometido do Cristo

Ele “arrependido” salta aos pés do Santíssimo

Ela …se aproxima do garoto faminta

“Ajoelha e reza”!

O PÁSSARO

por Joãooooooo

De repente sou um pássaro
lindo bailado pelo céu
vôos rasantes e raros
simples vento pelo ar

Deito no céu rubro
já não sou comportamento
nas linhas tortas do firmamento

Sou um mero navegante
a rimar pelo silêncio
deixo o som do pensamento
a levar-me adiante

Continuo o flutuar
eu sou com Deus neste momento
a presença
de muito contentamento

Se assim ando e rezo
sou também a cotovia
bailando no horizonte
sem qualquer filosofia

Sou assim, sou João um estandarte reluzente
do amor que sinto pelo tempo
que reclama às multidões
um pouco mais de argumento

Contra a força dos ventos
me entrego ao amor
conquistando direções
sem o menor pudor

Hei de ser feliz e alegre fonte
de amor galopante
e nas asas da sensibilidade
me entrego radiante

E pelo mundo cantarei
a beleza da vida
voando com suas brancas asas
me tornarei mais livre

Hoje sei que o mundo volta
dá mil giros sem cessar
o belo pássaro refaz as coisas
deixando tudo no lugar

E assim canto o esboço
o bem valioso
o dom que re-descubro de amar

por Joãooooooo para a Flor que Reina!!

 

VALSA ENTRISTECIDA

por Joãooooooo

 

O baile tocou vários ritmos

um tom para cada ser

canções emergiam tempos idos

vidas lamúrias dançando

ao som da dor

 

Vozes magníficas de seres cantantes

afinadas ao desespero opressor

cantavam cânticos inebriantes

não sei se fui eu que toquei a música

ou se foi a música que me tocou…

 

A melodia tocou ou chorou uníssona?

se tocou fez bailar dentro de mim

confusão de pensamentos

se chorou, chorou alto o acorde de minh’alma

sacudiu vozes do meu ser

 

Foi a melodia que chorou

ou minh’alma que emudeceu?

Pergunto-lhe!

Ou foi minh’alma que,

verde , morta e amorfa

deixou  cair lágrimas escondidas

ao perceber o desespero ao meu redor?

 

Os acordes foram cortantes

enganavam aqueles que queriam se enganar

eram somente batidas de uma fúria desmedida

lancinante inquietude de várias seres

 

Flautas e violinos

acordes, partituras e vazios

a  melodia não pôde ser apreciada por muitos

O abismo dos seres tocava mais alto

 

Músicas, gargalhadas

dó, ré, mi, fá , sol, lá , si que dó

ilusões de viver na superficialidade

olhares embriagados e artérias etílicas

luzes vermelhas fantasmagóricas

refletiam algozes

o medo do envolvimento

o asco da aproximação

 

As batidas da música

eram como os corações

tocavam querendo se encontrar

batiam  a cada instante um  ritmo diferente

escondendo as duras faces

do

“eu”

 

Muitos dançavam automáticos

balançavam seus corações que não eram inteiros

maquiavam os sentimentos na bebida e aparência

lastimava o amor ver seus filhos desordeiros

 

Por que esconder os sentimentos

e guardá-los para um novo tom?

Pergunto-lhe

baila comigo essa poesia

quero respostas

verdadeiras

 

Dançavam todos, dançam  uma valsa entristecida

o som não era o do firmamento

ouvia-se o medo da entrega

o desconfiar desconfiando

e valsa vida que precisa bailar e como precisa

ficava sem par num canto da salão

 

Já passava das três da manhã,

a música libertava alguns

ameniza o abraço que não veio

alegrava a carência dos fugitivos

ruborizava faces pálidas de vida

 

Entre tantos fugitivos

vejo a alegria irradiando o salão

é um casal que não quer ser fugitivo

bailam contentes a valsa de vida prometida

dançam a batida da sinceridade

brindam brilhantes o real ritmo do amor…

 

Melodias chegam e melodias se vão

umas choram outras se calam

mas, prefiro mesmo é o dançar apaixonado

que se agarra a verdade

traz batidas mais amenas

edifica e louva a benção da aproximação

suaviza  existências inteiras

 

(Meu Diálogo com Cristo)

COM A DEVIDA LICENÇA POÉTICA

por Joãooooooo

Quando nasci
um anjo cinza e iletrado
veio falar-me ao pé do ouvido:
“Oh João, não serás um insensível,
um bestializado…serás fio condutor de sensibilidade”…

“Não serás tão rico para que a ostentação não lhe aflijas os sentidos e nem serás tão miserável que não possas educar-se”…
“Não serás tão feliz para que não se esqueças dos que sofrem e nem sofrerás tanto que não consigas suportar…
presentear-te-ei com amigos e colegas para que possas reconhecer vossos verdadeiros
irmãos”…

“Amor materno e paterno terás,
para que possas reconhece- sentir -amar
afeto pleno verdadeiro, abençoado sentimento,
lar –sagrado-educandário”…

“Não serás só fogo e nem só brisa
não serás o fim nem o começo
serás o meio
meio termo, o termo posto
o termo oposto, serás terno”…

Quando nasci
anjo sujo maltrapilho
sorriu-me palavras ainda desconhecidas: ” Oh João, ganharás o mundo e no momento certo saberás a hora de voltar
à casa de raízes naquela “cidade-ilha” que tanto amarás…

“Sentirás dor sentirás amor e ao final trilharás fronteiras de pés descalços por caminhos tortos e claros de vossas próprias escolhas”…

Quando nasci,
um anjo enfumaçado
enfeitiçou-me em esperança
alertou-me das ganâncias
perdoou-me erros e vidas passadas…

Quando nasci
anjo poeta desnudo
disse-me que ansiedade é algo que pertence àqueles que têm muito por fazer muito por realizar
afirmou-me que os problemas são prelúdios de evolução feitos tão somente para serem suplantados…

Quando nasci,
anjo cantador entoou o cântico de que a angústia não é feita para morar nos corações dos sensíveis, dos insistentes…

Quando nasci,
já não era eu que pensava
somente intuía o que o anjo poeta me falava…

Quando nasci,
anjo cinza aclarou: “Sigas João, queime-se nos raios brancos do conhecimento,

jogue-se nas raias das perguntas

construa tempestades de questionamentos…

trovejes “barulho”…

Quando nasci,
anjo nublado e felino
aconselhou-me ouvir mais que falar
atentou-me quanto às falsas conclusões
confiou-me bom senso de esperança…

Quando nasci,
um anjo torpe
fez chover
protegeu-me dos perigos
lavou minha alma atribulada
mostrou minha pequenez…

Quando nasci,
anjo diabo me falava:
“Sigas João, assim com Torquato, desafines o coro dos contentes
porque vida é dança e nessa
“Let’s Play That””…

Quando nasci,
anjo emissário não parava:
” Serás forte como o vento
buscarás dias melhores
soprarás voraz vossas querências, mas não se esqueças de soprares também brisas revigorantes para àqueles que o amam e por vós morrem… ao final, retornarás à terra fértil de vossas raízes e recomeçarás vosso ardiloso ciclo”…

Quando nasci,
um anjo desses que gostam de encher disparou sobre a vida,
trouxe-me lampejos de lucidez…

Quando re-nasci,
meu pai anjo, anjo pai
fez-me filho, neto, irmão, esposo e amigo…
e carinhoso sussurrou ao meu ouvido: “Oh João, estarei ao seu lado, contigo!
Sou pai dos João’s, dos Raimundos, dos Carlos, das Marias, das Anas e Adélias…

Pai, seu irmão pai!

Quando re-nasci,
anjo sumido
pequeno anjo sumido
ecoou ao meu ouvido: SOU VOSSO PAI!

Das obsessões de um anônimo

por Joãooooooo

 

Tentado nos versos

a falar o que penso

penso muita coisa da vida

parece que é revolta maldita

mas,

são só pensamentos

 

Por mais que a queiram matar

ela nunca cedeu de joelhos

prefere morrer de pé

orgulhosa a lançar-se à luta

é poesia que abraça minh’alma

que chega faminta e me norteia

 

Pisando em solos inférteis

continuo o meu caminhar

curvas tortas de versos malditos

encruzilhadas de palavras

que me odeiam

 

Passageira e cíclica “ela” vai e volta

Ora suave me abraça e coloca no colo

ora furacão me venta tempestades inteiras

 

Poesia maldita mãe cobiça desordeira

resiste à falta de métrica

eterniza-se numa  fome lancinante

Viva a poesia sem concisão

e o maldito pensamento!

 

Perdoem-me os nobres imortais seres poetas

meus versos não querem ofender vossos lirismos

versos meus,

são só palavras jogadas ao vento

flores brancas

que brotam da terra

 

Escrevo o que vejo

rascunho primaveras

crio alegorias da vida

desenho sóis ensolarados

gente feliz em “casinhas quadradas”

minto,

muitas vezes,

inverno

 

Lapidar as palavras

garimpar versos inteiros

um dia quis entrar nessa selva

versos meus são feito um pai carinhoso

abraça o retorno dos pródigos filhos poemas

 

Mata fechada, densa mata dos poemas

quando entro por suas trilhas

me espeto  em espinhos

sangra minh’alma as ambigüidades

não sou amigo

do talento

 

Versos malditos,

malditos poemas

destroem àqueles os leem

ferem a pureza do criador

sou um bruxo mago enfeitiçado por suas próprias estrofes malditas

lanço-lhe

minha poesia agourenta

 

Sem foco narrativo

sou o náufrago dos meus versos fugídios

faço chover quando quero

navego verões quando ordeno

 

Quando escrevo

escolho personagens de várias almas

vomito tédio e faço rodeios

permeio palavras e ambientes  nocivos

versos insanos, livres, mudos libertos

rascunhos esboços dos meus devaneios

 

Fotografo a íris da fuga

voz autoral revela a discórdia de mim mesmo

aos que me leem peço não fazê-lo

não valem à pena esses malditos poemas

 

Nessa poesia agourenta

viajo entre espaços geográficos e metonímias

crio tempos verbais que não existem

elejo enredos reais de vidas vividas

metáforas tortas, mortas, amorfas

cruéis e assassinas

 

Por mais que eu lute

contra essa torrente maldita

ainda assim,

quero gritar, quero escrever

quero do mundo respostas reais

a poesia maldita é o meu caminho

 

Bailo ao som das palavras

versos bandidos que me ensinam

o tempo presente me faz querê-los

não leia nada que escrevo

aqui choro meu desatino

 

Poesias, versos, quadras e devaneios

essa é a minha sina

querer viver mais que a medida

sentir da vida

apenas e mais um pouco

sinceros poemas

Vício Torpe

por Joãooooooo para meu amor luz!

Debruçado sobre as páginas do livro-vida,
cá estou eu envolvido por versos
cerco-me mais uma vez de vida que quero
pressinto as picadas de poesia

Ela chega e alumbra minh’alma
rasteja por meus pensamentos
como cobra a demorar sua presa
arma seu bote,
aceito
seu veneno suave me envolve em palavras
eis a poesia maldita

Ela me procura como a um fugitivo
no encalço de respostas
rasga o verbo e os versos em mim
vai marcando meu retorno à consciência
é vida de alguém que garimpa vida
e aconselha-se no lúdico

Sua face se revela
sempre às voltas com meus desatinos
ela vem celebrar minha vertigem
manifesta-se angelical demoníaca

São versos de pés quebrados
que trazem luz para a escuridão de meus dias
fazem chover e afasta meus demônios
com linhas tortas e encontros divinos…

Minha poesia é um vício torpe,
recria as curvas das adversidades
é criança com fome
se não consigo contê-la, que assim seja!
Entrego-me ao seu maldito
flutuando em versos os meus problemas
faço dela minha fiel escudeira

Não quero um encontro com a métrica
gosto dos versos que saem da minh’alma
que se cruzam nas teias das minhas experiências
dão beleza à nobre fantasia

Na trama da palavras
ela chega e me cerca de lirismos,
é uma poesia vida de várias vozes
semântica de um fugitivo

Mergulho, então,
no vermelho intenso dos sonetos
as palavras sabem nadar e vem sozinhas,
como um cardume são tantas palavras tantas
se enlaçam, recriam

No labirinto dos versos me perco,
construo alegorias
a mão do poeta  segue traçando versos-sonhos
injusta vida de poesias

A fortuna de meu coração
é viajar nesses versos fudígios
poder aqui operarar milagres
de Deus quero a cura de várias doenças
Amor e sorrisos maternais

Ligado a esta poesia malvinda estarei
que me abraça, laça e aperta
faz de mim ser cativo enjaulado
mas que docemente liberta-me das minhas dores, liberta
liberta os meus de suas dores, liberta
me dá a chance de poetizar novos dias

O meu verso é livre insano e vivo,
é uma forma de sangria,
é, enfim, o meu reverso,
e se nasceu foi porque Tu Oh Mãe Querida, merecias.

Comentários
  1. Jéssica Tironi disse:

    Amo vc =]

    • Gostei muito dessa poesia, tocou no fundo da alma e do meu coração. tive uma sensação de serenidade ao lê-la. ah meu amigo, no fim estamos sempre sozinhos, a solidão faz com que nos enxerguemos mais. ela despi a nossa pele e nos faz ver a alma. achei bonito o que escrevestes. tens uma força muito grande dentro de ti. vc vai onde quiseres, pq sabes enfrentar teus medos. bom te ler, vc ganhou uma visitante. =) beijo mi amigo.

  2. biosas disse:

    qeria postar esse.

    Beco Imundo

    Que bom andar trôpego pelas ruas
    Debruçado em balcões
    Dormindo em caixas de papelões
    Atirando garrafas
    Lambendo o céu néon
    Jogado com putas nas camas
    Trombando bucetas fumegantes
    Arrastando corpos infames
    É bom o cheiro do mangue
    É linda a merda na latrina
    Becos de Sevilha
    Atrás de alguma rapariga
    Quero o ranger da noite
    Seu hálito frio
    Sua boca aberta
    Seu bafo vadio
    Ah eu quero
    Também ficar nu
    Alto edifício
    Telhado lantejoula
    O saco que nem cebola
    Voar em cima do teu baú
    Comer fuder pupuaçu
    Meter nas cadelas
    Fornicar perebas
    Coçar remelas
    Travestido poeta
    Mordaça no limite da glande
    Estrangula meu desejo
    Jorra esgoto bacilo
    Lembrança teu rosto mar morto
    Ama-me na lama azul
    Rasgo-te o cu
    Ontem sai da taberna
    Louco ódio andarilho
    bocejei
    Olhei em cima
    Era tua face abissínia
    Adormeci na tarde pestilenta
    Li tua poesia agourenta

    Ass, Biosas

  3. agathe disse:

    Maria Schneider

    Ah que tristeza, muita mesmo. Saber que uma das mais belas e ousadas atrizes do cinema despidiu-se desse mundo. Não digo pelo mundo, mais por mim, que delirei em cada cena em o Ultimo Tango em Paris. Uma obra prima, com o inesquecível Marlon Brando. Tornou-se um filme obrigatório para cinéfilos e artistas.
    Maria
    Sua pele pêra, seios firmes longos
    Olhar perdido, tesão, apartamento, paris
    Casaco de pele solto ao carpete
    Teu homem aquele desconhecido
    Que forçou teu sexo choroso entre as pernas
    Velho louco fez brilhar tua estrela
    Amanteigou, te virou pra lua
    Ficaste eterna no drama de teu diretor
    Tanto na alcova, como na loucura
    Quem não te quis ali, gemendo e sofrendo
    Amordaçada, roteiro, tango desesperado
    Quem não quis ver; teu corpo penumbra
    Jogada no quarto, leve pesada, adormecendo
    Rumoroso teu corpo juvenil, cinética a baratinar platéias
    Lembro, lembrarei, não esqueço
    Cabelo cacheado, olhar flutuante a banheira deleitando-se
    Maltrata-me a excitação e a tristeza
    De recordar tuas curvas suntuosas
    Minha trágica paixão, musa dos desgraçados
    A arte imprimiu teu talento, em rolos, prateleiras e lisonjas
    Latente jamais se dissolverá, nem o tempo interferirá
    Intacta, ficas com os deuses da arte
    Porque só tu podes fragelar-se em reverência à beleza!
    Ass, Biosas

    • Biosas,
      Chegou anônimo ou anônima e brinda este blog com sua presente poesia, que é presente e no presente recria!
      Fico a pensar quem será você?
      Mais um poeta ou poetisa que, assim como eu, sofre a desídia humana por estar cativo na matéria entre mundos bestiais e seres bestiais?
      Surpresa agradável mais este poema, carregado de sentimentos mundanos e idolatrias pueris e redentoras…
      Reafirmo o convite…este espaço está aberto para você e para quem quiser “aqui” (neste maldito espaço) expressar-se e libertar-se pelas asas da poesia maldita!
      Um abraço deste irmão em versos,
      Joãooooooo

  4. agathe disse:

    valeu joao. fico grato pelo convite, e por poder postar poesias no teu blog. breve postarei outras. que o ato de poetar e louco como eu. para sua curiosidade sou poeta.
    um grande abraço.

  5. Meu nobre anônimo poeta,
    O espaço está aberto!
    Ficarei muito contente em dividir versos com você nesse espaço que é fruto ora do lúdico, ora do santo, ora do maldito e ora redentor!
    Que a loucura dos versos nos traga multiplicidade de sentidos e sentindo daremos maior sentido!
    Um abraço,
    Joãooooooo

  6. Olá bonito assunto , adorei muito, talvez poderiamos fcar amigos de blog :) lol!
    Tirando as brincadeiras o meu nome é Barata, e como tu publico blogues embora o tema domeu blogue é muito diferente de este….
    Eu faço blogs de poker que falam de bónus grátis sem arriscares o teu dinheiro……
    Gostei bastante o que vi escrito!

  7. biosas disse:

    Abnegado
    Odre danoso onde
    Guardas meu destino
    O que tentei em vão
    Enfeiou-se a beleza
    Envelhece a juventude
    Empobrece a riqueza
    E agora na hora péssima
    A libido súbita foi-se
    Qual meu signo hora perdida
    Lassidão sopra meus ouvidos
    Que desavirá
    O que vai ser sem mim
    Pobre verme a sonhar
    Qual noite na varanda ventará
    O trapo forrado à míngua
    O tempo empoça insípida
    Quero café na cama
    Quero-a na janela
    Vendo-a sussurrar
    Aqui nada acontece
    Eu aqui a clamar
    Trás tempo tudo que eu possa usar
    Não demora vem de pressa é chato esperar
    Tudo queria agora comer
    Tudo agora beber
    A espera lenta escora
    Represam o projeto
    Retardam o propósito
    Retendo o desejo eu grito
    Raiva rancor estorvar
    Demoras por quê?
    Estou pronto!
    Que entrem as messalinas
    Não compreendo aos templos blasfemo
    Moribundo mirando a ampulheta ódio
    Quero comer tudo
    Beber tudo
    Nada deixar pra trás
    Lacinante impaciência
    Que um dia trasborde tudo
    Não falte nada
    Nem mel
    Nem azeite
    Nem ela
    Nem Isabela
    Estou farto peito esvazia
    Insulfla-me lascívia
    Preenche minhas entranhas
    Em mil beijos suculentas piranhas
    Causa-me
    precipita-me
    afeta-me
    Enche-me e nunca sacia
    Ass, Biosas

  8. biosas disse:

    TREMURA
    Um tremido depressivo corrosivo despencava em seu
    corpo moluscolo disforme
    Quando o frio é mais intenso, nada pode resumir a satisfação
    de ser idiota
    Ela traspassou por pólos Calos de Mendes, foi ao hotel desiludida
    achava sereno o amor
    Passou pelos hospícios atarantados com pudor e sua cretina
    alegria morna
    Saldou seu enigma na quarta esquina esquizofrênica
    repleta de lodo
    Berrou um nome esquecido no passado oco de sua
    memória febril
    Meteu sua suplica debaixo do alambrado cara passada
    a ferro fosco
    Murmúrio ainda fresa pela macieira à tarde lodaçal ponche
    fenda de rio
    Tremeu balbuciando seus cabelos porangos precoce presos
    ao arame farpado
    Ejaculou bílis sentada à esteira de pregos pontiagudos que
    fustigavam suas trompas
    Derreteu fervente na casca do calcanhar fel de
    sevada e arroz
    Rolou esfregando-se nas lixas de unhas fincadas
    a parede
    Exauriu um odor pérfido de suas entranhas, abocanhou
    uma coxa inteira de peru
    Espirrou em cima do prato dando um arroto estridente e
    voltou a coçar suas partes brotoejas
    O ar impedido de sua sala miúda, então cambaleou renitente seu corpo em cima da estante
    E de ponta cabeça arremessou seu crânio na quina da pia a direita
    da copa
    Repousou a língua mirrada no anzol prêt-à-porter agachada
    em baixo do varal espinafre
    Desabotoou o vestido amarrando-se ao corpete rasgado
    na noite anginofóbica
    Tentou levantar do sofá onde as molas guinchando sua saia
    preguilhada multiforme
    Derramou o leite na toalha bordada ponto cruz avessa perfeito
    de linhas com sabor amarulas
    Parou-se ribanceira a baixo, vislumbrando o flutuar harpia de
    águia rapina grená
    O rodopio transeunte de contramão, moléstia pelo chão
    murmurando suplicas a esmo
    Reabsorveu a saudade ilícita da jaca que apodrecia cancerígena
    no orvário lama poeira
    Galpão de brejos serrados, mergulho ravina no horizonte cor de
    abobora
    Fez amor abriu a geladeira virou o pote e cerejas creme viscoso escorreram-lhe pelos seios

    Ass, Biosas

  9. O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui .

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