**Poesia Maldita**

…a atribulada existência inaugurou em mim uma poesia maldita que sendo fruto do inferno e do céu há de perpetuar-se…
Digam-me vocês se este crime poético compensa…
QUANDO O AMOR PERDE A VONTADE
Por Joãooooooo
O amor não quis mais
quando os olhos azuis nebulosos e perdidos
cruzaram-se naquele instante
com os castanhos há muito,
cansados
O amor foi embora
num olhar penetrante e gélido
quem nem lembrara a outrora irresistível do passado
O amor não quis mais
quando num ato falho e impensado
os seus donos de direito
abdicaram inconseqüentes
dos seus sóis reluzentes,
quentes e abençoados
O amor foi embora
na negra sala que os amantes se encontraram…
não havia mais luz
somente paredes frias e metálicas
testemunhas cruéis
de um absurdo desacordo
O amor não quis mais
no momento único e exato
que o passado ferido agigantara-se…
O amor foi embora
ao perceber a disputa sem sentido
que se iniciara
O amor não quis mais
a frágil, seca e infrutífera
justificativa falseada…
O amor foi embora
pela intensidade desmedida
e imprudência da verbalidade…
O amor não quis mais
a união desunida
o filho não nascido
que pena sinto, do nascituro amaldiçoado…
O amor foi embora
por interesses mundanos
perfeitamente entendidos
de um casamento que virá para ela, arranjado…
O amor não quis mais
a exigência de inocentes desordenados
o marginal equilíbrio
dos seus, dos meus e dos nossos
desequilibrados…
O amor foi embora
por ilhas de distância criadas
por equivocadas ondas de maresias cortantes
extremamente salgadas…
O amor não quis mais
a lágrima que não veio,
a palavra cerceada,
o choro velado,
o orgulho dilacerador,
a mal-vinda sinceridade…
O amor foi embora
num último encontro
da carne quente e nua
de mortos amantes
despediu-se em beijos-morte…
O amor não quis mais
o círculo de fogo criado
a ofensa do fogo-amigo…
O amor foi embora
pelo cansaço da insônia
na disputa de quem pode mais
quem ama mais,
quem será mais amado?
O amor não quis mais
a noite quente de um sábado que resfriou
os sentidos da racionalidade…
chega de sexo, drogas e rock’n’ roll…
O amor foi embora
pois é preciso casar Maria
afastar João
O amor não quis mais
os conselhos inaconselháveis
a miopia da aceitação…
O amor foi embora
por conselhos angustiados
esquecendo os dias felizes
do bem feito
dos amados…
O amor não quis mais
o lapso da impulsão
em tempos em que o que vale
quando vale,
vale sempre menos
O amor foi embora
com a ciência de um amor doente
sem cura para um “Dr. Passado”…
O amor não quis mais
a injúria purgatória
o ato falho desnecessário
O amor foi embora
pois o que impera é o sexo, a grana, a aventura,
a devassidão…
O amor não quis mais
os amantes perderam seu trono de beijos quentes
a coroa dourada de abraços aconchegantes…
O amor foi embora
num grito surdo de esperança
do ruim não ser verdade
O amor não quis mais
a reunião do medo
a cega obediência
o interesse desinteressado
O amor foi embora
pelo efeito paliativo e paralisador
que não findou a verdade deflagrada: eles se amavam!
O amor não quis mais
o estado de rebeldia
e naquilo que não se concordava, se acovardaram…
O amor foi embora
a dor que fica e corrói
eleva o coração-espírito
a um plano não antes imaginado…
O amor não quis mais
usos e costumes
convenções, mal-querências, falsas conclusões…
O amor foi embora
deixou órfãos desesperados
desnutridos, frustrados
mortos pela fome da incompreensão…
O amor não quis mais
a dor do poeta
que cegou a si mesmo
ao perceber-se não mais amado…
*Doeu no amor o luto do poeta
que jurara não mais escrever
não mais amar, não mais acreditar…
O amor foi embora
a cantora cantou suas mágoas
o poeta rascunhou suas aflições…
O amor não quis mais
perdeu sua nobreza
a alma branca perdeu seu norte
numa dor rubra de uma quase morte…
O amor foi embora
pela consciência algoz e autoritária
buscou abrigo em outras bandas…
O amor não quis mais
a indiferença mastigada e engolida
o senso estrábico de justiça
daqueles “não encontrados”…
O amor foi embora
pela fadiga dos problemas
pela busca de vã soluções
pelo “fazer-aparecer”
acontecer…
O amor não quis mais
os injuriosos artífices
a inveja do não conseguir
o erro dos amantes…
O amor foi embora
o alegre mundo se decompôs
perdeu-se sua filha legítima: a paixão
voou alto com as negras asas da insenbilidade…
O amor não quis mais
não existe mais gosto, calor e cheiro
ficou um pulsar fraco e doente
de um coração mutilado…
O amor foi embora
exoneraram-lhe o cargo
da estabilidade e brilho
restaram só cacos, fragmentos sem valor…
inutilizáveis…
O amor não quis mais
a face da discórdia
o olhar oceano da amada
que perdera-se em “ondas maremoto”
O amor foi embora
a melodia soou uníssona
badalaram os sinos do arrependimento
frustração se ouviu…
O amor não quis mais
a não criação
a paz que não houve
o universo de sentidos
que não foram lapidados…
O amor foi embora
fica o agradecimento pela lição
se despede a alma maculosa e aflita
querendo por agora, apenas,
legítima redenção…
O amor não quis mais e foi embora
enfim, o amor,
por fim, o amor,
pôs fim ao amor…
* E um dia, anos depois “ele” reconciliou-se com o amor.
Redescobriu sentimentos nobres, aprendeu verdadeiramente a amar.
Conheceu uma flor. Permitiu que ela reinasse e voltou a (voar) escrever…
CORPO PôR- DO-SOL
por Joãoooooo
De que matéria é feita essa sua “morenice” que quero tê-la para mim?
Que dourado pôr-do-sol é esse que me queima a pele, invade meus sentidos e faz doer lá no fundo da alma?
Raios solares que ofuscam meus olhos. Que angústia alucinada sinto (que voraz me consome) quando você se vai…
Já que queima, não quer ficar?Entre e reine à vontade!
Construa seu reino solar de raios brancos.
Que desatino não possuí-la!
Já tracei minha estratégia: da sua “morenice” não me afasto mais minha querida.
Se o seu corpo é Pôr-do-Sol quero ser montanha velha, serra nova e monte verde a acolhê-la!
O brilho de seus raios queimam alaranjados em mim…
É tenho que lhe confessar. Seu corpo tem a cor de um Pôr-do-Sol!
É um dourado que me perco, contemplo e não canso de assistir!É quase a cobiça do ouro, sinto o gosto alaranjado da sua pele.
Flor que reina a ensolarar. Amarelo forte a me iluminar. Seu corpo tem cheiro de tardizinha que insiste dia quando noite em mim se agiganta!
Ah esse seu corpo me lembra o verão!
Quanto estou ao seu lado sinto calor, suor e vontade de tirar a camisa!
O que eu quero mesmo é ser verão!No verão o pôr-do-sol é mais bonito!
Quem não gosta de contemplar um Pôr-do-Sol?
Quero de você o fim de tarde, sua noite, madrugada e dias…
Sua “morenice” é meu sol noite adentro!
Acertada mão de Deus que não escureceu nem clareou!
Salpicou você de um amarelo amorenado que é benção e redime o pecado!
Boca gosto de canela! Gosto bom que me embriago!
Dá-me uma dose do seu sorriso?
Levo-o ao meu travesseiro e durmo o sono dos justos!
Quem edificou esta matéria pôs nessa “morenice” a sua alma?
Porque é essa sua alma solar é que dá asas aos dias de minha vida.
Alma branda e dourada! Corpo-alma que me eleva! Corpo-verão que me esquenta! Flor que reina nas terras do meu espírito! Esses meus olhos só enxergam o seu sol.
“Corpo-alma- tardizinha” sem tempo e sem hora. Reluz em em mim puro desejo…
REDIVIVO HOMEM
Por Joãoooooo
Quem pode na calma aparência
saber as cores e dores
que me corroem por dentro?
Uma vida de quatro linhas
cegas frases de impacto, duas estrofes
pequena alegoria…
Sem entender minha existência
tenho somente uma bússola: a boemia
Não sou homem da cidade
nem do campo
para ti revelo-me
eis minha face
sou cratera no meio da lama
estende-me sua mão…
Não venho de vir,
venho de andar
não sei o que é certo
não sei o que é incerto
o que será que cativei?
Mostro-lhe minha nudez
não me envergonho dela
quero vê-la em mim polida
desejo partilhá-la
Em rota nublada
me via perdido
em noites mundanas,
pernas abertas e seios-carinho
Se buscava um norte
na vida mundana não encontrei,
por ser demais serendiptoso,
Confesso-lhe: me ferrei!
Tive amizades “amigas”
companhias de corpos mundanos
em sexos frágeis
mulheres artistas…
Isso foi o que cultivei
perdido no meu encontrar
fui e sou escravo de prepotências
egoísmo e fobias
Tenho a alma feita de soluços
e dádivas sem recompensa
matérias mortas
da minha inconseqüência…
Uma alma feita de piedade
destroços de geométricas ilusões
sonhos descoloridos
troféus de um náufrago suicida…
Ouvindo o som da minha dor
emerjo em espumas de esperança
das ondas de minha vida
quero o sal do mar
para lavar minha sujeira
mostrar-me um “belo horizonte”
Uma nudez de menino
é que quero vestir
de um anjo nascido ontem
dispo-me de minha antiga couraça
extipo minha nudez imoral
já não sou mais fuga…
Querendo novos mares
poetizo o mapa que preciso
revelo-me sem hesitar
seus negros olhos são agora
minha homilia
Por lhe querer mais que tudo
proponho-lhe sinceridade
em linha reta (a geometria do meu paraíso)
sem mais atmosferas densas,
injeto-me de combustível
se quiseres,
caminho ao seu lado, contigo…
Ainda sem roteiro certo
continuo meu navegar
subscrevo-me em silêncio
e na primavera de nossas almas
busco o seu amor…
Fui cão do mundo
carreguei a bandeira dos vícios
por agora, busco redenção
viver pleno para vida
chega de devassidão…
É tempo, pois, de um amor-verdade
Com raízes sinceras
Sinceras verdades
Sou assim, fui assim,
sou redivivo homem.
VERSOS INSANOS E LIVRES
Eu tentei uma poesia escrever
que traduzisse
à minha real imagem
um auto-retrato do que sinto
uma poesia onde eu caiba em cada verso
cópia fiel do meu caminhar
Imortais ofendidos relevem
meus versos tortos gritando ao mundo
que não cabem nas métricas e compassos
mas que desejam voar
Eu vibro versos
poetizo caminhos
ato insidioso que me ensina
“versos-sentimento” que caminham
Às vezes choram lágrimas por mim
rascunhados em poucas palavras
aguçam meus sentidos
me ensinam um pouco mais
O que escrevo
se assemelha ao vento
“versos-vento” que pressinto
que me fogem pelas ventas
sopram fortes quando querem
calam quando querem calar
Vejo os versos como estrelas
surgindo do espaço estelar
para darem a quem enxerga
mais beleza
um novo modo de enxergar…
Oh Pai Querido!
eu sei que nunca meu destino
irá se igualar ao seu
amando-te poetizo os meus caminhos
e em versos amo-te muito mais
Nem versos nem tempo
conseguem deter
nossos peitos de aço – eu sei
e nossos jeitos de ser
Perdoe-me não seguir seus passos
sinto um mundo diferente do seu
meu mundo é repleto de versos
“completamente meus”…
Escrevo para não chorar
lapido versos para apaziguar
domar feras que só mudam de nome
de vidas de pai e filho que se amam
e não desejam mais brigar
Triste a sina do “poetar”
a girar voltas sem fim
continuo o meu passo mudo
recrio alegorias de mim
Dos versos sou carinho,
sou filho, pai, esposo e amigo
sou orvalho cálido, beija-flor ligeiro
Deus sabe o quanto valho
eu só valho por ter tu ó Pai Querido
como meu espelho
Oh Pai Querido! És para mim um modelo
e pelos versos eternizo esse sentimento
és meu eterno espelho de conduta
minha vida, meu apelo
Versos às vezes eu quero ser
olho-me quando poetizo
abraço-me quando posso sem dor
desejo-me outros caminhos…
Se me acho diferente
busco olhos reais
enxergo versos escondidos
caídos do meu espírito…
Meus versos estão onde a esperança campeia
estão em tu ó Querido,
são frutos de nosso “lar-família”
só querem caminhos novos a escolher
Estes versos insanos e livres
abrigam-se nos sonhos que tenho
caminham pelas pernas da literatura
e não da advocacia.
Arranquei os meus disfarces
quero agora que compreendas
que versos insanos e livres
são vida nova que quero sentir
Lancei minha voz nos versos
ganhei de retorno malditos poemas
entendi-me feliz e contente
busco agora ó Querido, sua benção.
Meu poetar não quer ferir
nele somente pinto meu retrato
de um novo amanhecer
entre sóis ensolarados
flores que brotam da terra…
Não quero ser literato
nem me julgo talentoso
mas meus versos cantam o esboço
do meu crescer…
Quero um dia erguer os olhos
mirar sua face de pai
saber em pensamento instantâneo
que cumpri sendo-lhe sincero
o meu dever…
Versos insanos e livres se completam em mim
o insano buscar amar
o livre encontra-se com o sentir
“livre-sentir-insano” de querências
meus estilhaços mais caros de esperança…
Faço versos de paz e versos bandidos
minha voz libertária e rouca
traz à tona o que sinto do mundo
versos roucos mudos libertos
eu quero mesmo é viver…
por Joãooooooo para o Dr. João Paulo Costa – Vice-Prefeito do Município de Cláudio/MG - advogado - mas que para mim é só meu paizinho que tem cheiro de talco! Querido abraço, guru espiritual e mentor intelectual…
Sua pele é minha pele, seus cabelos brancos são os meus, seu sangue, suas ideologias, sua luta, seu amor e alma correm ligeiros em mim…
Transmutam-me, transformam-me, enobrecem-me e edificam minha existência…
Quantas vezes for preciso, quantas vidas se fizerem necessárias, quero nascer e renascer como seu filho e carregar em mim a dor e as delícias de também ser João.
Que orgulho sinto do Senhor!
Eu te amo meu pai mais que a mim mesmo…
Se eu for metade do que é… já me darei por satisfeito!
Meu alicerce carinhoso, que benção tê-lo por pai nesse plano terreno!
Que Deus abençõe seus caminhos agora e para sempre!
Amém!
QUADRAS DE PASSARINHO
por Joãooooooo para Jéssica Tironi
Quadra I
Ontem, quando o fim da noite chamava-me ao sono,
surgiu um passarinho…
sorrateiro entrou pela janela da madrugada, dizendo-me:
___Perdoe-me, será que errei de ninho?
Quadra II
Não. Acertaste pássaro-flor. Faz- me agora volver a tempo diamante
amor de pássaro que deixa tudo para trás
faz-me volver neste exato instante,
aos tempos sonhados de paz…
Quadra III
Quero somente beijar-lhe a boca, acariciar sua nudez
quero tanto, com tanta paixão, tanta
voar rápido ao encontro do seu corpo
beijar-lhe bico doce e face que encanta…
Quadra IV
Seu amor ruiu em mim o velho homem sobrado
caiu-me o estilo velho e colonial
deixou-me portas abertas de esperança
paredes-faces pintadas de novo cal
Quadra V
Então, de súbito eis a claridade, a brancura esperada
maior que a luz que da estrela desce
que voraz todo o quarto invade
é o amor, que reina agora e cantando como pássaro: aparece!
Quadra VI
Voa pássaro, voa, voa como dente de leão
foge pois, da tempestade, foge
agarra-te aos negros olhos, negros,
lança-te aos ventos da felicidade…arde!
HÁ QUEM DIGA
por Joãoooooo
(…)que antes de tudo e da criação existia o “verbo”
que Ele criou o homem
que viemos dos macacos
que os jardins da Babilônia eram uma diversão
que quem não se expressa não se realiza
que o leão da Tribo de Judá há de retornar
que Adão e Eva não morderam a maçã, fizeram pois, transar loucamente…
que a vitória do egoísmo é o fim da humanidade
que o sexo antes do casamento é pecado
que pecado é não transar antes
que cão que ladra não morde
que seios enormes e fartos dão mais tesão
que nasci há dez mil anos atrás
que a bunda da mulher brasileira é a mais redondinha
que as loiras são melhores
que as morenas arrasam
que as ruivas são vermelhas de quentes
que as mulatas tem fogo no rabo
que as japinhas são demais
que bom mesmo é mulher do vizinho
que a mudança é o motor da história
que devemos respeitar os mais velhos
que quando penso, logo existo
que o art. 5º da Constituição é colocado em prática
que jornalismo não dá dinheiro
que sou teimoso feito uma mula
que o TV Fama é só fama
que sonhar demais não leva a lugar algum
que devemos fazer o que gostamos
que a festa é estranha e com gente esquisita
que amigos se reconhecem pela íris
que Karol Józef Wojtyła foi um papa homem santo
que teatro é vida e glória
que o arco-íris tem sete cores
que a ganância é irmã de criação do egoísmo
que a maquiagem esconde imperfeições da pele e da alma
que maledicência é arma em punho para os fracos
que os tucanos são animais dóceis e domesticáveis
que actívia solta o intestino preguiçoso
que o tão falado choque de gestão é pura sacanagem
que o Luís Inácio sabia de tudo
que mensalão agora é bolsa família
que pesquisas são falsas e manipuladoras
que o futuro pertence a Deus
que o Osama vive num cafofo do Casseta & Planeta
que Che vive
que a televisão é coisa de Satanás
que a política estadunidense é imperialista
que o ódio é o pai da vingança
que quem cala consente
que Hitler era muito simpático
que holocausto judeu não matou tanta gente assim
que a Palestina é terra de Israel
que não devo me preocupar com os outros
que os outros são só os outros
que sem os outros não sou ninguém
que fora da caridade não há salvação
que Hugo Chaves é um novo Fidel
que Evo Morales acompanha o voto do relator
que o Gianechini é um bichinha
que todo mundo esconde um segredo
que não há espaço para lamúrias
que o muro das lamentações chora em ver tantas lamentações
que devemos pensar em Deus e no futuro
que o poder do homem e do dinheiro corrompem
que Torquato não é tropicália
que dignidade e sinceridade já se foram
que o livro é um universo em desencanto
que o Rio de Janeiro continua lindo e não-violento
que não há pão nem convicções abaixo da linha do equador
que as orelhas não param de crescer
que o sol um dia não vai mais esquentar
que buraco negro é um portal para outras galáxias
que não estamos sós no universo
que o E. T. de Varginha existiu
que a pérola nasce da musculatura ferida da ostra
que o bolsa família ajuda gente pobre e gente rica
que o Neimar é o novo Pelé, só que mais nervosinho
que religião é coisa criada pelo homem
que quem não ousa não pode berrar
que Van Gogh não cortou suas orelhas
que Saramago ensaiou-se com a cegueira
que Elvis não morreu
que Bruno não matou Elisa
que Aquiles não tinha calcanhar
que Helena de Tróia era obesa e mal-cheirosa
que quem conta um conto aumenta um ponto
que o salário óoooh!
que os lírios mais lindos nascem nos mais fétidos lamaçais
e que a desintegração do átomo é o fim da poesia.
Há quem diga muita coisa.
Concordo e discordo.
Há quem diga muita coisa por assim dizer.
No entanto, meu palpite mesmo é que somos todos redentoras poesias escritas por um poeta meio louco chamado Deus. Versos tortos e estrofes incertas rascunhadas em papel santo de pão. E que para Ele, pela vontade Dele, um dia, retornarão… em métricas descompassadas. Em hipérboles e matérias mortas. Tortas. Vivas. Viva. Vida. Perdoa. Perdão. Sempre parafraseadas por uma poesia santa e maldita, ora do inferno e ora dos céus.
AS PALAVRAS E O QUE SE PODE ABSTRAIR DELAS
Por Joãoooooo
Já combati, já morri, já nasci, já sangrei
já dormi, já acordei, já sou, já fui, já vou
já fui poeta maldito,
já sou estorvo redentor
e é por isso que estou aqui
entre palavras, muitas palavras
caminhei e caminho por palavras…
palavras
Purgando palavras, palavras
ecoando palavras, palavras, palavras
virgulas e palavras
Purgando palavras, palavras
palavras-versos dos meus velhos e novos “pecados-palavras”
agora choro palavras para amanhecer palavras, palavras
palavras
Palavras não entram no meu céu-inferno, palavras
inferno de palavras, casa das palavras, palavras
quero comer as palavras, cagá-las, palavras
Adormecer em seus braços feitos de palavras
luar de palavras
palavras
Delas sou escravo, palavras
sou prisioneiro, palavras
sou dono sou cúmplice, palavras
giro rodopio, palavras
bebo, me embriago, palavras
gozo, dou três, dou quatro, palavras
palavras, chicoteá-las, palavras
furá-las, cobrí-las, palavras
arrastá-las, maltratá-las, palavras
palavras, chupá-las, transá-las, palavras
metê-las, amá-las, cuspidas palavras
palavras são só palavras
palavras
Descomunais palavras, vejo e sinto a fortaleza das palavras
palavras ao vento, palavras
palavras ofensivas, palavras
rancor, palavras
dor, palavras
perdoadas palavras
palavras, redentoras, palavras
maldosas palavras, invejosas palavras
palavras não servem de nada, palavras
quero fazer com que todos engulam
palavras
ajudai-me nobres palavras
é seu filho que pede
mais vírgulas e outras palavras
legítimas palavras,
façam todos engolirem “suas” duras palavras
palavras do mundo, palavras
engulam todos
cagem (se borrem todos) em suas equivocadas e hediondas palavras
palavras equivocadas, palavras
palavras, palavras e palavras
quero o fim das palavras…
CHUVA MALDITA POESIA
por Joãooooooo
Ela ganhou alguns versos de presente
versos tortos que falavam para sua alma
alma branda que são pequenos poemas
que sabem ler meus olhos de fera
Quando eu não mais procurava, a encontrei
coração saltitante
balançando, querendo dançar
ar de menina-moça-infernal eu vibrei
não quero mais nada: só quero tê-la…
Depois de um tempo vi os dois seios dela
um era feito de luz, o outro faiscava fogos ardentes
não me contive mordi seu pescoço como vampiro
apertei seios com mãos contentes
Ela tem dois livros
na estante ao lado da janela
vejo dois brincos de florzinha
presos, adornando a orelha dela
ela tem dois perfumes
um com o cheiro do seu corpo e outro bem sutíl,
aromatizante-entorpecente feito do cheiro de canela
Ela tem dois negros olhos
cabelos pretos ianomami
olhos negros que são espelhos
cor brilhante coroada
vez por outra sorriem para mim
sedutores e sexualmente abençoados
Quando a vejo vestida quase não me aguento
vem o desejo de acariciar sua nudez
beijar com língua seu par de coxas lambidas
apaupá-la, morder nádega bruta-felina
usar minha boca nas curvas de seu corpo
mapear suas zonas erógenas
sou sol que venta de dentro para fora
quero pernas abertas, controlo a ânsia
ouço o silêncio gemido
Sinto em mim tato desperto
Olfato instigante
miro uma esfinge vermelha chovendo
ouço a linha dourada do horizonte
que tem o calor de suas nádegas bandidas
manipulo a dádiva do paladar
O desejo sobe pelas duas pernas
navegam em suas costas nuas
sinto quando sua virilha cintila
mordo faminto seus seios de rosa-cruz
O sol que entra por debaixo da calcinha
um amor-cópula de setecentos orgasmos
escandalizo seu umbigo em fagulhas
faço arder
sexos famintos
Labareda clitórica
púbis, vulva, vagina
deliciosa harmonia ouvida
orifícios de flores
sorvo seu orvalho
tocando, ainda em harmonia, ouvindo
a fusão afortunada, carícias
São agora dois sóis unidos
fluem carnais a brilhar
tara-pureza de amor sentido
explosões em mim: só quero invadí-la
Minha barba em sua nuca felina
escuta sua vontade
sente o encontro de rios ligeiros
correndo barcos,
farrapos,
sem leme, sem donos, ligeiros
ligeiros em verdade,
corpos-verdade, felinos
Seu corpo todo treme em folia
o meu acompanha suas duas almas
a da mulher prometida e da ninfa pervertida
sensações gulosas me consomem famintas
sinto almas apaixonadas e nunca sedentas
encontro-sexo que recria,
outra vez
mais uma
dou três
outra vez recria
Acordo atravessado no travesseiro
era só sonho a sufocar um ser éretil
recomponho-me do sonho-erotismo
sinto o ardor do sexo imaginado
Olho para a janela, volto do encontro
olho para o teto, acordo
apaupo a mecânica do relógio
na minha boca o gosto safado do seu perfume insiste
e em sexo, sublime sexo
desejo tê-la
Olho entre a cortina e a janela,
vejo chuva bandida caindo
chuva de sexo-querência
douradas gotas de poesia
cai agora chuva de esperma sincero
eis a luxúria divina
Chuva mundo fecundo
sacanagem celestial
transpiram todos os meus poros
gozo enfim, poesia
Cai a chuva dos céus,
sou tentado a pensar em você
chuva maldita poesia
rendo-lhe singelas homenagens
É chuva maldita poesia
versos chuvosos bandidos
tentado em escrevê-los
sentimento-suspiro de homem
desejo-homem incontido
CREIO NELE PORQUE CREIO
Por Joãooooooo
Creio Nele porque creio
não explico o meu sentir
só sei sentir para dar sentido
sou fé nova abrigo do espírito
que preenche meus vazios,
Suas bênçãos chovem em mim
Creio Nele porque creio
Sua voz sorri em mim
lava minha face dura e espírito errante, lava
enche-me da Sua Glória
esperançoso entrego-me ao porvir
Creio Nele porque creio
não explico minha fé
faz-me filho bem-aventurado oh Cristo!
Filho que louva, louva porque louva
paira a Luz do Fiel em mim
A imensidão do amor do Cristo
afasta meus inimigos
concerta-me dos meus males, concerta
reinaugura meu existir
Creio Nele porque creio
protegido e abençoado sou
filho que busca entregar-se em completo
ao abraço do Pai Amado, abraços
Fiel espada da Justiça
Leão da Tribo de Judá
do Seu colo canto as bênçãos recebidas
louvo a Ti as oportunidades em minha vida
agradeço Sua benevolência
Creio Nele porque creio
o sol nasce esplendoroso para mim
água santa que mata minha sede, mata
dá-me equilíbrio sonhado, sonhos
não sou nada sou apenas filho que retorna
crente em Ti, agradecido em Ti
Creio Nele porque creio
deixa-me leve, esperançoso, leve
o filho desgarrado voa, desgarrado voa
vôo com leveza , vôo
creio em Tí porque creio
celebro Seu amor.
PERFUME ENTORPECENTE
por Joãooooooo
Um perfume entorpecente
anestesia minha alma
provocante baila pelo ar
suavemente chega em minha narinas
aguça meus instintos masculinos
não penso em nada: quero te amar
Não me aguento e me aproximo
sem perceber sigo seus passos
em sua nuca me enrosco feito um menino
profana pele que exala um perfume
perfume do “querer”
Quero o gosto do seu cheiro
o calor de suas nádegas
te desejo de quatro
de lado de banda
por cima
sinto o gozo pressentido
Sentidos extasiados
me rendo ao seu carinho
mordo-lhe cada parte do corpo
deslizo sem rumo em seus caminhos
Curvas perigosas asfixiantes
faço de você meu ninho
em gozo o casal de amantes
são agoras dois passarinhos
Viciado na luxúria
invadí-la eu quero mais
saciar pois, minha fome de leão
devorar seu sexo e mamilos
no seu corpo de menina
minha mão
Os anos não me chegam
o tempo não passa para mim
quando estou ao seu lado
crio versos dionísicos
meto-lhe minha língua bandida
rascunho um extase felino
Do seu cheiro eu quero o gozo
quero misturá-lo em mim
erotizo meus pensamentos
no vai e vem dos nossos corpos
me perco em desalinho…
Seu perfume me faz “adolescer”
sou contigo agora “adolescente menino”
és minha ninfa prometida
do seu reino quero a coroa
das suas asas um vôo rasante
do seu sexo quero a fúria
“adolesço”, “adolesci”…
Que bom é “adolescer”
sentir-me vivo como um menino
da sua pele de mulher
sou hospedeiro
comê-la me convém
Adormeço no seu perfume
quando se vai fica seu cheiro
em mim, no meu corpo, na casa, no travesseiro
relembro as cenas dos nossos corpos
crio imagens que não me atrevo a dizer
quero novamente,
outra vez mais,
quantas vezes sentir vontade,
comê-la,
metê-la,
amá-la.
A MENINA MOÇA E O PROMETIDO DO CRISTO
Por Joãoooooo
Menina moça aos domingos vai para a igreja,
iluminada, adentra o salão,
sorri para todos que a enxergam
sua graça ninguém contesta
Seu vestido de cor morango
baila e voa pela catedral em festa
o Vigário ao ver aquela cena
perde-se nas palavras,
volta para si, olha para a Bíblia que o refresca…
O brilho do olhar da Menina Moça
ofusca os vitrais da catedral
a igreja inquieta-se com sua presença
pára as orações
sentimentos mundanos são agora os novos versículos
o diabo radiante se manifesta…
Ela entra pelo templo
senta-se ao lado do seu homem escolhido
um homem franzino de semblante cristão
sua castidade ela detesta…
o Seminarista amigo da igreja
é o céu e salvação para ela
provocá-lo e testá-lo em sua crença
é a sua meta
arrastá-lo para o paraíso que julga mais salvador
é a sua reza…
Em oração protege-se o Seminarista
sente um frio estalando na espinha
seu corpo se enregela
suor das mãos ele observa
sabe que a Menina Moça quer distraí-lo,
desviá-lo do seu caminho,
roubar e devorar sua alma
senti-lo por dentro e benzê-lo
em gozo e asfixiante desejo
Aos pés do Santíssimo
ela se benze na testa
pensa no corpo daquele Seminarista
ela ninfa prometida ao prazer
não sabe se quer ainda ser fiel amante do Cristo…
Acende uma vela, entende-se com o terço
levanta sedutora parte do vestido
quer provocar os instintos do Seminarista
morde a boca, fecha os olhos, delira em sonhos
simula orgasmos…
o cio da menina procante
fere a pureza do casto homem que,
de alma frágil e bandida
não se aguenta
esquece-se da homilia
e pensa agora em morder seus seios de Maria Madalena
O seminarista resmunga ao Santo:
“Mas que Santa é essa que às outras causa tanta inveja?
Perdoe-me Cristo a desejo em pecado,
livrai-me do mal da querência!
Afasta de mim esta ninfa pervertida
e seus lábios felinos que me matam”…
E a Menina Moça termina a oração
vitoriosa, levanta-se como uma bailarina
rodopia seu perfume por todos os cantos
mostra ao salão suas curvas e carne exposta
sai sutilmente de seu lugar,
deixa um bilhetinho para o Seminarista
Final da Missa
todos se despedem:
“Ide em paz, O Senhor os acompanhem”
O seminarista que leu o bilhete
vai finalmente encontrar-se com ela
Atrás da Igreja
confessionário apertado
na sala de orações o êxtase se aproxima
a Menina Moça se encontra com o Prometido do Cristo
Ele “arrependido” salta aos pés do Santíssimo
Ela …se aproxima do garoto faminta
“Ajoelha e reza”!
O PÁSSARO
por Joãooooooo
De repente sou um pássaro
lindo bailado pelo céu
vôos rasantes e raros
simples vento pelo ar
Deito no céu rubro
já não sou comportamento
nas linhas tortas do firmamento
Sou um mero navegante
a rimar pelo silêncio
deixo o som do pensamento
a levar-me adiante
Continuo o flutuar
eu sou com Deus neste momento
a presença
de muito contentamento
Se assim ando e rezo
sou também a cotovia
bailando no horizonte
sem qualquer filosofia
Sou assim, sou João um estandarte reluzente
do amor que sinto pelo tempo
que reclama às multidões
um pouco mais de argumento
Contra a força dos ventos
me entrego ao amor
conquistando direções
sem o menor pudor
Hei de ser feliz e alegre fonte
de amor galopante
e nas asas da sensibilidade
me entrego radiante
E pelo mundo cantarei
a beleza da vida
voando com suas brancas asas
me tornarei mais livre
Hoje sei que o mundo volta
dá mil giros sem cessar
o belo pássaro refaz as coisas
deixando tudo no lugar
E assim canto o esboço
o bem valioso
o dom que re-descubro de amar
por Joãooooooo para a Flor que Reina!!
VALSA ENTRISTECIDA
por Joãooooooo
O baile tocou vários ritmos
um tom para cada ser
canções emergiam tempos idos
vidas lamúrias dançando
ao som da dor
Vozes magníficas de seres cantantes
afinadas ao desespero opressor
cantavam cânticos inebriantes
não sei se fui eu que toquei a música
ou se foi a música que me tocou…
A melodia tocou ou chorou uníssona?
se tocou fez bailar dentro de mim
confusão de pensamentos
se chorou, chorou alto o acorde de minh’alma
sacudiu vozes do meu ser
Foi a melodia que chorou
ou minh’alma que emudeceu?
Pergunto-lhe!
Ou foi minh’alma que,
verde , morta e amorfa
deixou cair lágrimas escondidas
ao perceber o desespero ao meu redor?
Os acordes foram cortantes
enganavam aqueles que queriam se enganar
eram somente batidas de uma fúria desmedida
lancinante inquietude de várias seres
Flautas e violinos
acordes, partituras e vazios
a melodia não pôde ser apreciada por muitos
O abismo dos seres tocava mais alto
Músicas, gargalhadas
dó, ré, mi, fá , sol, lá , si que dó
ilusões de viver na superficialidade
olhares embriagados e artérias etílicas
luzes vermelhas fantasmagóricas
refletiam algozes
o medo do envolvimento
o asco da aproximação
As batidas da música
eram como os corações
tocavam querendo se encontrar
batiam a cada instante um ritmo diferente
escondendo as duras faces
do
“eu”
Muitos dançavam automáticos
balançavam seus corações que não eram inteiros
maquiavam os sentimentos na bebida e aparência
lastimava o amor ver seus filhos desordeiros
Por que esconder os sentimentos
e guardá-los para um novo tom?
Pergunto-lhe
baila comigo essa poesia
quero respostas
verdadeiras
Dançavam todos, dançam uma valsa entristecida
o som não era o do firmamento
ouvia-se o medo da entrega
o desconfiar desconfiando
e valsa vida que precisa bailar e como precisa
ficava sem par num canto da salão
Já passava das três da manhã,
a música libertava alguns
ameniza o abraço que não veio
alegrava a carência dos fugitivos
ruborizava faces pálidas de vida
Entre tantos fugitivos
vejo a alegria irradiando o salão
é um casal que não quer ser fugitivo
bailam contentes a valsa de vida prometida
dançam a batida da sinceridade
brindam brilhantes o real ritmo do amor…
Melodias chegam e melodias se vão
umas choram outras se calam
mas, prefiro mesmo é o dançar apaixonado
que se agarra a verdade
traz batidas mais amenas
edifica e louva a benção da aproximação
suaviza existências inteiras
(Meu Diálogo com Cristo)
COM A DEVIDA LICENÇA POÉTICA
por Joãooooooo
Quando nasci
um anjo cinza e iletrado
veio falar-me ao pé do ouvido:
“Oh João, não serás um insensível,
um bestializado…serás fio condutor de sensibilidade”…
“Não serás tão rico para que a ostentação não lhe aflijas os sentidos e nem serás tão miserável que não possas educar-se”…
“Não serás tão feliz para que não se esqueças dos que sofrem e nem sofrerás tanto que não consigas suportar…
presentear-te-ei com amigos e colegas para que possas reconhecer vossos verdadeiros
irmãos”…
“Amor materno e paterno terás,
para que possas reconhece- sentir -amar
afeto pleno verdadeiro, abençoado sentimento,
lar –sagrado-educandário”…
“Não serás só fogo e nem só brisa
não serás o fim nem o começo
serás o meio
meio termo, o termo posto
o termo oposto, serás terno”…
Quando nasci
anjo sujo maltrapilho
sorriu-me palavras ainda desconhecidas: ” Oh João, ganharás o mundo e no momento certo saberás a hora de voltar
à casa de raízes naquela “cidade-ilha” que tanto amarás…
“Sentirás dor sentirás amor e ao final trilharás fronteiras de pés descalços por caminhos tortos e claros de vossas próprias escolhas”…
Quando nasci,
um anjo enfumaçado
enfeitiçou-me em esperança
alertou-me das ganâncias
perdoou-me erros e vidas passadas…
Quando nasci
anjo poeta desnudo
disse-me que ansiedade é algo que pertence àqueles que têm muito por fazer muito por realizar
afirmou-me que os problemas são prelúdios de evolução feitos tão somente para serem suplantados…
Quando nasci,
anjo cantador entoou o cântico de que a angústia não é feita para morar nos corações dos sensíveis, dos insistentes…
Quando nasci,
já não era eu que pensava
somente intuía o que o anjo poeta me falava…
Quando nasci,
anjo cinza aclarou: “Sigas João, queime-se nos raios brancos do conhecimento,
jogue-se nas raias das perguntas
construa tempestades de questionamentos…
trovejes “barulho”…
Quando nasci,
anjo nublado e felino
aconselhou-me ouvir mais que falar
atentou-me quanto às falsas conclusões
confiou-me bom senso de esperança…
Quando nasci,
um anjo torpe
fez chover
protegeu-me dos perigos
lavou minha alma atribulada
mostrou minha pequenez…
Quando nasci,
anjo diabo me falava:
“Sigas João, assim com Torquato, desafines o coro dos contentes
porque vida é dança e nessa
“Let’s Play That””…
Quando nasci,
anjo emissário não parava:
” Serás forte como o vento
buscarás dias melhores
soprarás voraz vossas querências, mas não se esqueças de soprares também brisas revigorantes para àqueles que o amam e por vós morrem… ao final, retornarás à terra fértil de vossas raízes e recomeçarás vosso ardiloso ciclo”…
Quando nasci,
um anjo desses que gostam de encher disparou sobre a vida,
trouxe-me lampejos de lucidez…
Quando re-nasci,
meu pai anjo, anjo pai
fez-me filho, neto, irmão, esposo e amigo…
e carinhoso sussurrou ao meu ouvido: “Oh João, estarei ao seu lado, contigo!
Sou pai dos João’s, dos Raimundos, dos Carlos, das Marias, das Anas e Adélias…
Pai, seu irmão pai!
Quando re-nasci,
anjo sumido
pequeno anjo sumido
ecoou ao meu ouvido: SOU VOSSO PAI!
Das obsessões de um anônimo
por Joãooooooo
Tentado nos versos
a falar o que penso
penso muita coisa da vida
parece que é revolta maldita
mas,
são só pensamentos
Por mais que a queiram matar
ela nunca cedeu de joelhos
prefere morrer de pé
orgulhosa a lançar-se à luta
é poesia que abraça minh’alma
que chega faminta e me norteia
Pisando em solos inférteis
continuo o meu caminhar
curvas tortas de versos malditos
encruzilhadas de palavras
que me odeiam
Passageira e cíclica “ela” vai e volta
Ora suave me abraça e coloca no colo
ora furacão me venta tempestades inteiras
Poesia maldita mãe cobiça desordeira
resiste à falta de métrica
eterniza-se numa fome lancinante
Viva a poesia sem concisão
e o maldito pensamento!
Perdoem-me os nobres imortais seres poetas
meus versos não querem ofender vossos lirismos
versos meus,
são só palavras jogadas ao vento
flores brancas
que brotam da terra
Escrevo o que vejo
rascunho primaveras
crio alegorias da vida
desenho sóis ensolarados
gente feliz em “casinhas quadradas”
minto,
muitas vezes,
inverno
Lapidar as palavras
garimpar versos inteiros
um dia quis entrar nessa selva
versos meus são feito um pai carinhoso
abraça o retorno dos pródigos filhos poemas
Mata fechada, densa mata dos poemas
quando entro por suas trilhas
me espeto em espinhos
sangra minh’alma as ambigüidades
não sou amigo
do talento
Versos malditos,
malditos poemas
destroem àqueles os leem
ferem a pureza do criador
sou um bruxo mago enfeitiçado por suas próprias estrofes malditas
lanço-lhe
minha poesia agourenta
Sem foco narrativo
sou o náufrago dos meus versos fugídios
faço chover quando quero
navego verões quando ordeno
Quando escrevo
escolho personagens de várias almas
vomito tédio e faço rodeios
permeio palavras e ambientes nocivos
versos insanos, livres, mudos libertos
rascunhos esboços dos meus devaneios
Fotografo a íris da fuga
voz autoral revela a discórdia de mim mesmo
aos que me leem peço não fazê-lo
não valem à pena esses malditos poemas
Nessa poesia agourenta
viajo entre espaços geográficos e metonímias
crio tempos verbais que não existem
elejo enredos reais de vidas vividas
metáforas tortas, mortas, amorfas
cruéis e assassinas
Por mais que eu lute
contra essa torrente maldita
ainda assim,
quero gritar, quero escrever
quero do mundo respostas reais
a poesia maldita é o meu caminho
Bailo ao som das palavras
versos bandidos que me ensinam
o tempo presente me faz querê-los
não leia nada que escrevo
aqui choro meu desatino
Poesias, versos, quadras e devaneios
essa é a minha sina
querer viver mais que a medida
sentir da vida
apenas e mais um pouco
sinceros poemas
Vício Torpe
por Joãooooooo para meu amor luz!
Debruçado sobre as páginas do livro-vida,
cá estou eu envolvido por versos
cerco-me mais uma vez de vida que quero
pressinto as picadas de poesia
Ela chega e alumbra minh’alma
rasteja por meus pensamentos
como cobra a demorar sua presa
arma seu bote,
aceito
seu veneno suave me envolve em palavras
eis a poesia maldita
Ela me procura como a um fugitivo
no encalço de respostas
rasga o verbo e os versos em mim
vai marcando meu retorno à consciência
é vida de alguém que garimpa vida
e aconselha-se no lúdico
Sua face se revela
sempre às voltas com meus desatinos
ela vem celebrar minha vertigem
manifesta-se angelical demoníaca
São versos de pés quebrados
que trazem luz para a escuridão de meus dias
fazem chover e afasta meus demônios
com linhas tortas e encontros divinos…
Minha poesia é um vício torpe,
recria as curvas das adversidades
é criança com fome
se não consigo contê-la, que assim seja!
Entrego-me ao seu maldito
flutuando em versos os meus problemas
faço dela minha fiel escudeira
Não quero um encontro com a métrica
gosto dos versos que saem da minh’alma
que se cruzam nas teias das minhas experiências
dão beleza à nobre fantasia
Na trama da palavras
ela chega e me cerca de lirismos,
é uma poesia vida de várias vozes
semântica de um fugitivo
Mergulho, então,
no vermelho intenso dos sonetos
as palavras sabem nadar e vem sozinhas,
como um cardume são tantas palavras tantas
se enlaçam, recriam
No labirinto dos versos me perco,
construo alegorias
a mão do poeta segue traçando versos-sonhos
injusta vida de poesias
A fortuna de meu coração
é viajar nesses versos fudígios
poder aqui operarar milagres
de Deus quero a cura de várias doenças
Amor e sorrisos maternais
Ligado a esta poesia malvinda estarei
que me abraça, laça e aperta
faz de mim ser cativo enjaulado
mas que docemente liberta-me das minhas dores, liberta
liberta os meus de suas dores, liberta
me dá a chance de poetizar novos dias
O meu verso é livre insano e vivo,
é uma forma de sangria,
é, enfim, o meu reverso,
e se nasceu foi porque Tu Oh Mãe Querida, merecias.



































































































































Amo vc =]
Gostei muito dessa poesia, tocou no fundo da alma e do meu coração. tive uma sensação de serenidade ao lê-la. ah meu amigo, no fim estamos sempre sozinhos, a solidão faz com que nos enxerguemos mais. ela despi a nossa pele e nos faz ver a alma. achei bonito o que escrevestes. tens uma força muito grande dentro de ti. vc vai onde quiseres, pq sabes enfrentar teus medos. bom te ler, vc ganhou uma visitante. =) beijo mi amigo.
qeria postar esse.
Beco Imundo
Que bom andar trôpego pelas ruas
Debruçado em balcões
Dormindo em caixas de papelões
Atirando garrafas
Lambendo o céu néon
Jogado com putas nas camas
Trombando bucetas fumegantes
Arrastando corpos infames
É bom o cheiro do mangue
É linda a merda na latrina
Becos de Sevilha
Atrás de alguma rapariga
Quero o ranger da noite
Seu hálito frio
Sua boca aberta
Seu bafo vadio
Ah eu quero
Também ficar nu
Alto edifício
Telhado lantejoula
O saco que nem cebola
Voar em cima do teu baú
Comer fuder pupuaçu
Meter nas cadelas
Fornicar perebas
Coçar remelas
Travestido poeta
Mordaça no limite da glande
Estrangula meu desejo
Jorra esgoto bacilo
Lembrança teu rosto mar morto
Ama-me na lama azul
Rasgo-te o cu
Ontem sai da taberna
Louco ódio andarilho
bocejei
Olhei em cima
Era tua face abissínia
Adormeci na tarde pestilenta
Li tua poesia agourenta
Ass, Biosas
post outras aqui, o espaço está aberto!
Será sempre bem recebido…abraço e obrigado pela visita!
Maria Schneider
Ah que tristeza, muita mesmo. Saber que uma das mais belas e ousadas atrizes do cinema despidiu-se desse mundo. Não digo pelo mundo, mais por mim, que delirei em cada cena em o Ultimo Tango em Paris. Uma obra prima, com o inesquecível Marlon Brando. Tornou-se um filme obrigatório para cinéfilos e artistas.
Maria
Sua pele pêra, seios firmes longos
Olhar perdido, tesão, apartamento, paris
Casaco de pele solto ao carpete
Teu homem aquele desconhecido
Que forçou teu sexo choroso entre as pernas
Velho louco fez brilhar tua estrela
Amanteigou, te virou pra lua
Ficaste eterna no drama de teu diretor
Tanto na alcova, como na loucura
Quem não te quis ali, gemendo e sofrendo
Amordaçada, roteiro, tango desesperado
Quem não quis ver; teu corpo penumbra
Jogada no quarto, leve pesada, adormecendo
Rumoroso teu corpo juvenil, cinética a baratinar platéias
Lembro, lembrarei, não esqueço
Cabelo cacheado, olhar flutuante a banheira deleitando-se
Maltrata-me a excitação e a tristeza
De recordar tuas curvas suntuosas
Minha trágica paixão, musa dos desgraçados
A arte imprimiu teu talento, em rolos, prateleiras e lisonjas
Latente jamais se dissolverá, nem o tempo interferirá
Intacta, ficas com os deuses da arte
Porque só tu podes fragelar-se em reverência à beleza!
Ass, Biosas
Biosas,
Chegou anônimo ou anônima e brinda este blog com sua presente poesia, que é presente e no presente recria!
Fico a pensar quem será você?
Mais um poeta ou poetisa que, assim como eu, sofre a desídia humana por estar cativo na matéria entre mundos bestiais e seres bestiais?
Surpresa agradável mais este poema, carregado de sentimentos mundanos e idolatrias pueris e redentoras…
Reafirmo o convite…este espaço está aberto para você e para quem quiser “aqui” (neste maldito espaço) expressar-se e libertar-se pelas asas da poesia maldita!
Um abraço deste irmão em versos,
Joãooooooo
valeu joao. fico grato pelo convite, e por poder postar poesias no teu blog. breve postarei outras. que o ato de poetar e louco como eu. para sua curiosidade sou poeta.
um grande abraço.
Meu nobre anônimo poeta,
O espaço está aberto!
Ficarei muito contente em dividir versos com você nesse espaço que é fruto ora do lúdico, ora do santo, ora do maldito e ora redentor!
Que a loucura dos versos nos traga multiplicidade de sentidos e sentindo daremos maior sentido!
Um abraço,
Joãooooooo
Olá bonito assunto , adorei muito, talvez poderiamos fcar amigos de blog
lol!
Tirando as brincadeiras o meu nome é Barata, e como tu publico blogues embora o tema domeu blogue é muito diferente de este….
Eu faço blogs de poker que falam de bónus grátis sem arriscares o teu dinheiro……
Gostei bastante o que vi escrito!
Abnegado
Odre danoso onde
Guardas meu destino
O que tentei em vão
Enfeiou-se a beleza
Envelhece a juventude
Empobrece a riqueza
E agora na hora péssima
A libido súbita foi-se
Qual meu signo hora perdida
Lassidão sopra meus ouvidos
Que desavirá
O que vai ser sem mim
Pobre verme a sonhar
Qual noite na varanda ventará
O trapo forrado à míngua
O tempo empoça insípida
Quero café na cama
Quero-a na janela
Vendo-a sussurrar
Aqui nada acontece
Eu aqui a clamar
Trás tempo tudo que eu possa usar
Não demora vem de pressa é chato esperar
Tudo queria agora comer
Tudo agora beber
A espera lenta escora
Represam o projeto
Retardam o propósito
Retendo o desejo eu grito
Raiva rancor estorvar
Demoras por quê?
Estou pronto!
Que entrem as messalinas
Não compreendo aos templos blasfemo
Moribundo mirando a ampulheta ódio
Quero comer tudo
Beber tudo
Nada deixar pra trás
Lacinante impaciência
Que um dia trasborde tudo
Não falte nada
Nem mel
Nem azeite
Nem ela
Nem Isabela
Estou farto peito esvazia
Insulfla-me lascívia
Preenche minhas entranhas
Em mil beijos suculentas piranhas
Causa-me
precipita-me
afeta-me
Enche-me e nunca sacia
Ass, Biosas
TREMURA
Um tremido depressivo corrosivo despencava em seu
corpo moluscolo disforme
Quando o frio é mais intenso, nada pode resumir a satisfação
de ser idiota
Ela traspassou por pólos Calos de Mendes, foi ao hotel desiludida
achava sereno o amor
Passou pelos hospícios atarantados com pudor e sua cretina
alegria morna
Saldou seu enigma na quarta esquina esquizofrênica
repleta de lodo
Berrou um nome esquecido no passado oco de sua
memória febril
Meteu sua suplica debaixo do alambrado cara passada
a ferro fosco
Murmúrio ainda fresa pela macieira à tarde lodaçal ponche
fenda de rio
Tremeu balbuciando seus cabelos porangos precoce presos
ao arame farpado
Ejaculou bílis sentada à esteira de pregos pontiagudos que
fustigavam suas trompas
Derreteu fervente na casca do calcanhar fel de
sevada e arroz
Rolou esfregando-se nas lixas de unhas fincadas
a parede
Exauriu um odor pérfido de suas entranhas, abocanhou
uma coxa inteira de peru
Espirrou em cima do prato dando um arroto estridente e
voltou a coçar suas partes brotoejas
O ar impedido de sua sala miúda, então cambaleou renitente seu corpo em cima da estante
E de ponta cabeça arremessou seu crânio na quina da pia a direita
da copa
Repousou a língua mirrada no anzol prêt-à-porter agachada
em baixo do varal espinafre
Desabotoou o vestido amarrando-se ao corpete rasgado
na noite anginofóbica
Tentou levantar do sofá onde as molas guinchando sua saia
preguilhada multiforme
Derramou o leite na toalha bordada ponto cruz avessa perfeito
de linhas com sabor amarulas
Parou-se ribanceira a baixo, vislumbrando o flutuar harpia de
águia rapina grená
O rodopio transeunte de contramão, moléstia pelo chão
murmurando suplicas a esmo
Reabsorveu a saudade ilícita da jaca que apodrecia cancerígena
no orvário lama poeira
Galpão de brejos serrados, mergulho ravina no horizonte cor de
abobora
Fez amor abriu a geladeira virou o pote e cerejas creme viscoso escorreram-lhe pelos seios
Ass, Biosas
O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui .
**Poesia Maldita** “Play aperte o Play” I was recommended this web site by my cousin. I’m not sure whether this post is written by him as nobody else know such detailed about my trouble. You’re amazing! Thanks! your article about **Poesia Maldita** “Play aperte o Play” Best Regards Yoder Lawrence
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